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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Faturamento* da Globo, um lucro de banco.

Lendo algumas notícias pela internet, uma me chamou a atenção: Os bilhões da GLOBO. O faturamento da emissora em 2013 foi de 14,4 bilhões de reais. Pode parecer só uma constatação numérica que só leva a concretizar o tamanho e poderio dessa emissora no país. Mas esses números ficaram na minha cabeça, talvez sejam significantes para entendermos muita coisa que está acontecendo no Brasil.


(Imagem retirada do site: http://migre.me/hQH5B)

Durante o curso de jornalismo, ouvi muito sobre o fato da imprensa representar o 4° poder no país (muitos defendiam isso, poucos discordavam), como se estivesse acima dos demais poderes, balizando, investigando e esmiuçando para a sociedade tudo o que acontece no país - uma espécie de espelho limpo que reflete os demais poderes. Sempre olhei para essas afirmativas com um pouco de ressalva e até considerando um certo exagero dar tanta importância para a imprensa, mas esse faturamento da GLOBO em 2013 bagunçou meus pensamentos.

Junto a ele vem toda a lamentável cobertura do caso do cinegrafista Santiago Andrade, morto numa manifestação. Realmente, é chocante e precisa ser investigado o que de fato aconteceu com o cinegrafista da BAND. Isso é fato, e não se pode fugir da prisão dos responsáveis. Mas a sede da grande mídia em enfatizar esse caso e, junto a ele, levantar discussões para desmobilizar as manifestações  me assusta. E, mais que isso, já há discussão nos demais poderes constituintes de transformar manifestações em atos terroristas (seria a volta da censura?).

Nesse cenário, voltou a baila essa importância concreta-meio-invisível que a grande imprensa tem de fato. A mediação que estão fazendo do caso, com cobertura ao vivo da prisão do suspeito, tocando no assunto em todos os telejornais de maneira enfática, parece, na verdade, a busca pela prisão de um dos maiores bandidos  do país, como se o Fernandinho Beira-Mar estivesse à solta.

Lemos e ouvimos tanto sobre os lucros dos bancos nos últimos anos. Realmente números absurdos, que vão no sentido contrário dos ganhos do trabalhador médio brasileiro. Fiz uma pesquisa rápida para tentar fazer um paralelo do lucro dessas empresas, com o ganho da emissora (aqui, estou tratando de coisas distintas, no que diz respeito ao montante dos valores, mas que serve para ter uma dimensão do cenário financeiro de grandes arrecadadores do país: o lucro de um banco x o faturamento da GLOBO). O resultado não foi nenhuma surpresa: O Banco do Brasil lucrou 14 bilhões de reais em 2013, seu maior lucro da história. O Itaú Unibanco atingiu 15 bilhões de lucro em 2013. Números parecidos com o faturamento da emissora, não? Curioso...

Então faz todo sentido a linha editorial dura da GLOBO (jornal, web, televisão, rádio, etc...) contra qualquer tipo de manifestação, seja sobre passagens de ônibus, seja contra a Copa, seja contra a Supervia, seja contra o síndico, ou qualquer outro motivo que valha. Alguém imagina que eles desejam algum tipo de mudança no país? Fácil a resposta, não?

Ah, aliás, quando os telejornais da GLOBO noticiarem os lucros recordes dos grandes bancos brasileiros, com o apresentador franzindo a testa, com cara de espanto, não se assuste: ele não está achando o valor muito alto, só está preocupado se a emissora faturou menos.

* (Havia colocado "lucro", mas trata-se do faturamento da emissora).

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Rio de Janeiro: Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos.

Os sustos que o Rio de Janeiro tem me causado - não vou nem falar do calor acima da média, para não repetir meu mantra de reclamação das últimas semanas - com os valores absurdos em todas as esferas ganha corpo a cada dia. 

Estava no ônibus sexta-feira, dia 31/01/2014, indo de Teresópolis para o Rio, folheando os classificados do Jornal O DIA, quando me deparei com um anúncio de aluguel: "COPACABANA R$3.000, perto da praia, totalmente reformado...". Parei, passei os olhos por outros anúncios nos classificados, o que só serviu para legitimar a minha desconfiança dos preços estratosféricos. Nenhuma surpresa!


(Imagem: fonte própria).

Mas e aí, como posso contribuir para que a cidade volte (será que voltará um dia?) a ter preços "normais"? Será que a saída é a minha inevitável saída do Rio de Janeiro? Apesar de morar em Niterói, não separo as duas cidades nesse quesito, os preços assustam da mesma forma, de forma proporcional, os dois lados da Baía de Guanabara. 

Mas, então, retorno a essa minha repetitiva dúvida: o que se pode fazer de fato para o Rio ter valores normais, como já foi em outros tempos?! Sei da proximidade da Copa e das Olimpíadas, mas será que só isso justifica?

Vivendo na casa dos 30 anos, já "perdi" dois amigos para outras regiões do país (Salvador/BA e Campo Grande/MS), ambos em busca de qualidade de vida e serviços decentes; com uma mínima condição de se manter e com possibilidade de planejar a longo prazo. Será a solução?

Ficar só reclamando dos preços é - como li outro dia no blog Tonto Mundo - não fazer nada e ficar ao longe lançando bravatas aos quatro ventos. Pouco resolve, mas confesso que estou contagiado com essa epidemia, como um vício na busca por respostas. Só que sei, não basta para enfrentar o momento do mercado.

O mercado imobiliário está super aquecido nas grandes cidades do país, o Rio talvez seja a pequena amostra (num tom acentuado) do que vem ocorrendo. Será que passamos por um momento de ajuste desse mercado? As coisas tendem a normalizar, ou estamos somente num processo de início da mudança, onde só os mais abastados terão vez e verão as belezas cariocas ao lado dos turistas?

Percebo que as UPPs, apesar de alguns benefícios (não vou entrar nesse mérito agora),  são partes fundamentais na valorização do metro quadrado carioca. Dali, de áreas antes "inalcançadas" pelos poderes públicos, é dado o gatilho que atinge todas as partes da capital fluminense. Seria, a meu ver, aumento sobre aumento do metro quadrado em direção aos bairros mais valorizados (quase sempre da Zona Sul).

Quando chega a essa privilegiada região carioca, a onda dos aumentos atinge números espetaculares, como uma onda que vai ganhando força e altura, à medida que se aproxima da costa. O impacto é inevitável.

Sou um ex-morador de Copacabana e tenho real noção de como esse movimento veio crescendo ao longo dos últimos anos. Minha condição de morador da cidade está cada vez mais distante daquele ponto de choque que as ondas indicam. Nenhuma pretensão pessoal em voltar para Zona Sul, muito menos de continuar morando no Rio de Janeiro (Niterói), mas temo, sinceramente, que cada dia mais, a cidade viverá uma rotina para uma minoria, voltada para o turismo e sacrificando a vida dos trabalhadores que, de fato, fazem a engrenagem do processo urbano andar - vide o descaso com os trabalhadores que precisam do transporte público.

A escolha depende da gente? As urnas podem mudar esse processo? E, mais que isso (mais desanimador), a minoria privilegiada quer algo diferente do que vem se apresentando? Perguntas no ar e respostas que parecem perto de estarem nos levando para longe.

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