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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Caminhando e sonhando...

Ações simultâneas nos acometem... Trevo de quatro folhas no bolso e vou caminhando... Vou lento, vou rápido, mas vou. De repente, através dos olhos úmidos, me deparo comigo mesmo atravessando a rua. Isso, uma cópia idêntica. Cópia não, sou eu mesmo em todos os sentidos. Como é curioso me ver vivendo... A roupa, o jeito de andar, as expressões, a coceira na cabeça; tudo ali na minha frente. Divirto-me com essa sensação. Tento provocar um encontro entre nós dois. "Nós" porque essa palavra é de primeira pessoa e, mesmo sendo dois, sou um só.

Confusão, um nó na cabeça de todos. Mas o encontro está aí. É bom perceber que faço parte da massa que anda rápida e individualmente em seu destino. Uns de óculos, outros, sem; uns com fones no ouvido, outros falando ao celular e eu, caminhando... Fiquei curioso e comecei a me seguir. Aonde iria esse sujeito tão próximo? O destino é o que menos interessava, o trajeto e o fazer o caminho era o que instigava.

Caminhei sorrateiro com medo de ser descoberto por mim mesmo. Orgulhei da gentileza que oferecia a uma senhora que atravessava com dificuldade a rua. - Eitâ homem bom, gente. Mas percebi "um quê" de preocupação em mim. Uma ruga forçada na testa, daquele franzir de quem está com algo (geralmente não muito bom) em mente. - Já vem a ansiedade me atacar novamente - pensei com meus botões. Mas não podia saber o que era. O negócio era caminhar, seguir...

Acordei todo suado. Olhei para o lado e vi o celular despertando (hoje em dia celular desperta e relógio faz ligação. Coisas da modernidade...). Não havia ninguém no meu quarto, muito menos um outro "eu" me observando. Não passou de um sonho. Ri de mim mesmo, ri do fato de me procurar no meu quarto e lamentei não ter ido até o final naquele sonho. Mas as vezes é melhor assim, deixa a mente vagar por esses campos da imaginação (parece até samba!). Levantei, tomei um banho e comecei o dia.

Ao sair de casa vi um sujeito parecido comigo. Tudo bem que nem parecia tanto, mas a clareza do sonho despertou novamente. Ele entrou no carro e seguiu seu caminho. Fiquei imaginando como seria a vida daquele sujeito. Pronto, enquanto o ônibus parava para eu entrar, eu já estava sonhando, só que agora acordado.



(Imagem retirada do site: http://nosasvoltascomahistoria.files.wordpress.com/2007/06/trevo.jpg)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O que estou ouvindo?

Fugindo um pouco da linha desse blog, mas aproveitando que tenho falado - e principalmente ouvido - muita música, resolvi postar uma letra de uma música que tem dominado meu mp3 ultimamente. Acho que a maioria conhece: chama-se I'Yours, do Jason Mraz. Bom, hoje fica essa dica. Logo-logo posto outro texto.

(link para o clipe da música: http://www.youtube.com/watch?v=EkHTsc9PU2A)

I'm Yours

"Well you done done me and you bet I felt it
I tried to be chill but you're so hot that I melted
I fell right through the cracks, now I'm trying to get back

Before the cool done run out, I'll be giving it my bestest
And nothing's going to stop me but divine intervention
I reckon it's again my turn to win some or learn some

I won't hesitate no more, no more
It cannot wait, I'm yours

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you're free
Look into your heart and you'll find love love love

Listen to the music of the moment people dance and sing
I love peace from melody
It's your God-forsaken right to be loved love loved love
loved

So I won't hesitate no more, no more
It cannot wait, I'm sure
There's no need to complicate, our time is short
This is our fate, I'm yours

I've been spending way too long checking my tongue in the mirror
And bending over backwards just to try to see it clearer
My breath fogged up the glass
And so I drew a new face and I laughed

I guess what I'm saying is there ain't no better reason
To rid yourself of vanity and just go with the seasons
It's what we aim to do, our name is our virtue

I won't hesitate no more, no more
It cannot wait, I'm sure
There's no need to complicate, our time is short
It cannot wait, I'm yours
I won't hesitate no more, no more
It cannot wait, I'm sure
There's no need to complicate, our time is short
This is our fate, I'm yours

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you're free
Look into your heart and you'll find that the sky is yours

Please don't, please don't, please don't
There's no need to complicate
Cause our time is short
This oh this this is out fate, I'm yours!"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Divagando 2...

Dos versos que tracei na mente, inclui algumas letras e palavras imperdoáveis, daquelas que não podemos deixar de mencionar, taticamente perfeitas, uma marca de minha escrita. Já percebi isso, confesso. Sou refém de algumas amigas contidas em dicionários verdadeiros e imaginários....

Tento sentir agora o que meu comando mais aleatório quer enviar a esses inquietos dedos...Tento tratar-me como música, uma sucessão de acordes que já pareceram nascer um para o outro, perfeitos, cadenciados... Então sou essa infinidade de sentimentos, como tudo que a música é capaz de nos atingir, fazer lembrar aquela pessoa, remeter ao passado, viagens, cheiros, e etcs maravilhosos.... Humm, que convite. (Só por curiosidade, ouço Jack Johnson nesse momento...)

Nessa brincadeira de colocar meus instintos nesse "papel" eletrônico, evito censurar sentimentos que se extravasam aos milhares. É difícil, pois a todo momento pensamos nas consequências, pesamos as palavras, as atitudes e até as reações faciais. Por isso, falseio por esses campos, mas é um falsear tão verdadeiro, tão humano, que quase passa por verdade absoluta. Nesse momento do falsear a verdade, sou o mais verdadeiro dos homens mentirosos.

Acabo de apagar linhas que falavam de amor. Linhas não, parágrafo inteiro. Pronto, entreguei de bandeja mais esse assunto tocante, que bate na alma, coração, estômago, e outros instintos mais do que reais e verdadeiros. Mas era um parágrafo tão meu que resolvi guardar para mim, vocês não sentirão falta. Continuemos sentindo meus espasmos no teclado....

Acabo de chegar de uma corrida. Mais uma vez corri trinta e cinco minutos, de agasalho, contra uma chuvinha fina típica de Teresópolis. Interessante como o vento gelado e a água escorrendo pelo rosto são um horripilante combustível para continuar em frente... Divaguei ouvindo música (mais uma vez. E como tenho ouvido música ultimamente...) enquanto trocava passos pelas vazias ruas da cidade. Era percebido de perto por poucos carros que passavam apressados, mas atentos aos meus passos. Senti-me seguido, ou melhor, escoltado. Troquei o estilo da música para um bom samba e aumentei o volume. Pronto! Os carros mudaram suas atitudes, continuaram passando, mas agora eles não me observavam de forma tão constrangedora. E eu mergulhado nas batidas do pandeiro; passos firmes, na cadência....

Chega, estou ultrapassando os limites do normal (o que é normal?). Vou colocar os pés no chão, desligar o som e ler um pouco dessas folhas aqui, loucas para serem devoradas.


(Imagem retirada do site: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZjEoJ-LLkrUHuu2rQwTdplf7inuprpDAjYB9RX4GZ9yzryY_094FSf04BKjGIX73XVqzMun2jFHuvUfyqHK_8-wNdVhTWkry-AQ4JHXb_r2Splm2NpRvw5MEgJ4Clty0SL_A21VtdF9no/s400/aaaa_garoa)

terça-feira, 30 de março de 2010

Páginas amarelas.

Abri o livro, mas não li as palavras. Comecei a colocar minha história naquele imenso recanto das idéias. Passei por páginas que retratavam um passado amargo, feliz e meu. Saltei folhas em busca de respostas para o futuro, mas essas, diferentemente do livro original, estavam em branco. Claro, o que nos aguarda não pode estar pronto, visto que não se conhece. Peguei a caneta e ameacei traçar meu futuro com minhas próprias mãos, mas percebi a tolice de tal gesto. Escolhi o recolhimento, o reviver os momentos passados. Voltei muitas páginas e fui no começo de tudo. Eu estava ali, descrito do início, do primeiro choro, a primeira palavra... Troquei uma forte relação com aquele objeto tão... tão meu. Percebi que com o passar das páginas, eu ia envelhecendo junto com o amarelar do papel. Gostei do cheiro de velho, o aroma da experiência mostrando que o caminho passado está registrado, mas é preciso tocar as novas folhas a serem escritas.
Sorri como sempre fiz nessa trajetória, mesmo nos momentos difíceis achei lacunas e espaços para ser feliz. Interessante como muitas pessoas estão tatuadas nessas linhas, pessoas que ainda fazem parte do meu hoje e muitas, não menos especiais, que já não estão no convívio. Olhei pra frente e percebi que uma pequena criança me observava. Ela é pequena, tem uns dois anos e ainda não sabe o valor dessa minha história. Tentei imaginar páginas tão novas desse ser tão novo para o mundo. Quantas páginas já terá escrito?
Perguntas e devaneios me trouxeram para esse mundo. Conto essa minha história com meu álbum de infância aqui ao lado. Não é um livro, não têm linhas, nem páginas numeradas. Mas o amarelo das fotos está ali, junto com o cheiro do tempo que se foi e com as páginas em branco esperando novos retratos....

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

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