Escolhi que o Sol comandaria o dia de hoje. Acordei desconfiado de sua timidez, encoberto por nuvens grossas e desafiadoras. Desanimei e, por um momento perdi a fé em mim mesmo. Queria Sol, precisava dele. A temperatura era baixa, não passava dos treze graus, aqui dentro então... estava nublado.Corri pelas ruas da cidade, camuflado num exercício físico, escondendo um verdadeiro desespero de quem sai sem um rumo pensado. Troquei passos descompassados, pulei buracos e desviei de carros. As buzinas não me atrapalhavam, eu não estava ali.
Mais tarde cheguei ao lugar de onde sai, era o retorno do contragosto inevitável, era a vida mostrando suas friezas perto dos sonhos inalcançáveis. Parei de sonhar naquele dia, não era mais necessário me esconder nessas nuvens imaginárias, a vida é mais dura e objetiva.
Desde então tenho uma grande camada de uma casca impenetrável, nem os sonhos mais comuns conseguem ultrapassar essa barreira. Formei uma trincheira entre o que sou e o que desejo, agora sou um sincero e desacreditado da vida. Sou aquilo que as coisas se mostram, não vejo além do horizonte.
Envelheci com esse processo, esse corpo jovem já não condiz com a alma grisalha. A juventude foi um sonho que passou sem piedade. Ela se foi e não deixou lembranças. Agora sou assim: opaco, triste e desocupado de mim mesmo.
Procuro me encontrar nas letras de livros de outros autores. Desespero nessa busca própria. Quem sabe não estou por aqui, nessas linhas castigadas, mas que, por algum motivo, formam e consolidam minha vida?!
Esse foi um desabafo de um Eu-lírico que se apossou de minha alma no teclar das letras.
Um abraço.
Um abraço.
Imagem retirada do site: (https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbAXMjksbIMOg9ILt8YF0D05NSQ06n-uFBuXS_rBaf3nYoAjZB6gQxDUAtVlLBfw33jEFwx6d89JoK_22K0oKHEyX9dvkzKnSBY70h4DM5T63d17Pfmqya14z8W8m1c4zHC4GBvp1qcEs/s320/divagando.jpg)