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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Saudade do tio Assis.

Senti sua presença nessa folha em branco, tio. Talvez pela proximidade da hora do jogo do seu fluminense, mas hoje lembrei demais: Lembrei do seu excesso de confiança com seu time - sempre sendo desacreditado por mim. Lembrei de nossas conversas na casa de vó sobre futebol, sobre o seu azul cruzeiro, sobre o meu gigante rubro-negro. Lembrei de nosso papo sobre emprego, você me indicando, mostrando um novo mercado para atuar: aulas de filosofia para o segundo grau: - Faz esse curso, Carlinhos, vai sobrar vaga para esses profissionais - você afirmava apostando em uma área que eu gosto.

Engraçado, tio. Não tomei esse rumo vindo de sua bela intenção, mas hoje percebo que de certa forma meu futuro profissional está na sala de aula - em outra cadeira, na geografia. Se pudéssemos conversaríamos sobre esse meu novo rumo, numa sexta-feira lá na casa de vó. Fico imaginando nosso bate-papo, suas brincadeiras com o fato de eu estar seguindo seus passos e os da minha mãe... Seria um almoço divertido, observado por avô Assis curioso no assunto e por uma sabedoria única de vó Côca. Estenderíamos o papo sobremesa afora, caminharíamos para a sala de televisão para colocar em dia os últimos assuntos. Depois você partiria para sua casa... Esse seria mais um encontro comum, sem um grande evento para torná-lo diferenciado. Mas dessa simples sexta-feira que senti falta hoje. Não poder encontrá-lo hoje é estranho, vazio... Então a gente fica com as lembranças, muito vivas ainda, palpitando...

Sabe, queria encontrá-lo hoje, ou em qualquer dia sem data marcada - casual como em BH - mas não podemos mais. Impotência e saudade, palavras para tentar descrever esse encontro impossível.

Fico só com a inspiração (o que já é muito bom) e com os bons momentos. Esse texto é seu, ou melhor, é uma breve conversa nossa, daquelas sextas na casa de vo.

Um até logo, tio. E continue nos acompanhando daí de cima. Outra hora voltamos com mais uma sexta-feira, combinado?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Uma noite a observar....

Já falou tantas vezes, já ouviu tantas palavras e ainda é um ser em construção. Já somou bens, amores, dívidas, realizações; mas corre para buscar o novo. Novo?

Já respirou ares de montanha, de praia, tremeu de frio, ensopou no verão, mas ainda guarda energia para um tempo que está por vir.

A música preferida já tocou, o melhor filme já foi visto só que não cansa de sonhar com a melodia pessoal, o acorde no tom perfeito.

Enquanto houver essas conquistas a serem buscadas, enquanto traçar na mente um caminho novo a ser percorrido, esse senhor a minha frente não se dará por vencido. Ele se encontra aqui, imaginariamente a minha frente, sentado a duas fileiras de poltronas, enquanto a barca rasga a Baía de Guanabara.

O vento que lhe escorre pela face é denso, quase perceptível perto dessa invisível brisa que me vem espantar o calor. A natureza é sábia, sabe como tratar os mais velhos...

A barca chega a seu destino, ele demora a levantar-se, parece querer aproveitar cada minuto, cada fração de segundo que a vida lhe proporciona. Invejo aquela calmaria, tento interiorizá-la, mas ela não é minha, ainda não faz parte do meu repertório...

Passo pelo senhor e desço as escadas apressado. Antes, porém, olho pra trás e sou recebido com um sorriso. Ele parece ler meus pensamentos. Rio constrangido e sigo meu caminho.

Me perco na loucura da multidão da cidade grande; me acho na calmaria do papel, da caneta, do mar - e eu.

sábado, 28 de agosto de 2010

Voando na beca.

Depois de longos dias sem postar, voltei.

Curioso fiquei nesses últimos dias com um fenômeno que observei ao ir para Belo Horizonte de avião. Percebi (acho que não é novidade para muita gente) como o público-alvo das empresas aéreas está mudando. Claro, pensarão os amigos, tudo resultado da política de popularizar o transporte aéreo, com passagens mais baratas, vendas na internet e todos esses conceitos que já conhecemos. Antes de mais nada, aliás, quero deixar bem claro que sou completamente a favor da popularização do setor aéreo e de todos os outros serviços usados praticamente por uma classe mais elitizada. Acho perfeita essa abertura, desde que o serviço mantenha um mínimo de eficiência (minha maior preocupação com o transporte aéreo). Mas esse não é o motivo principal desse texto, deixemos essa resenha para depois...

O que me chamou a atenção mesmo foi a maneira como as pessoas tratam essa possibilidade de voar, viajar num transporte que antigamente seria financeiramente impossível. Essa relação com o novo traz aspectos interessantes. Mas hoje, particularmente, vou me prender a uma relação que chamo de: Viagem de avião merece roupa de domingo! Entenderam a relação? Vou tentar ser mais claro:

Peguei o voo do Rio para Belo Horizonte, num sábado, às 8h da manhã. Fazia um frio leve na Cidade Maravilhosa, mas eu tinha a informação de que o tempo estava bom lá pelas Alterosas. Quando cheguei no aeroporto, vestido com minha roupa de todos os dias (jeans, tênis, camisa de malha), percebi senhoras arrumadas, com batons, cabelos preparados, roupas dominicais, perfumes daqueles mais doce que mel; prontas para embarcarem no mesmo voo que eu. Esse era um fenômeno quase que total dos passageiros. O povo estava 'nos trinquis', como diriam uns mineiros - como eu. Fiquei observando esse fenômeno, enquanto éramos levados para a aeronave. Mais do que achar curioso, achei muito legal ver a alegria de pessoas que tinham essa oportunidade devido ao preço da passagem (R$ 65,00) e, claro, comentávamos como era rápido e não precisávamos ficar horas dentro de um ônibus da viação Útil ou Cometa. Essa comparação, por sinal, foi um papo que tive com duas pessoas diferentes, tudo isso em menos de duas horas, entre a espera do voo e a chegada em BH.

Mas meu entusiasmo com o fenômeno observado acho que só foi possível porque eu fazia parte daquele movimento. Sempre fui um assíduo viajante de ônibus nessas idas e vindas entre Rio-BH, mas agora... agora não, eu fazia parte daquela parcela de inclusos no movimento aéreo. Senti-me como um verdadeiro malandro, que ria baixinho daqueles que não tiveram a ideia de pesquisar o preço na internet e acabaram atravessando por terra a BR-040 por longas horas.  

Nesses pequenos momentos dos nossos dias que percebemos como as coisas mudam aos pouco, as perspectivas se alteram, vemos classes que não tinham acesso a determinada ferramenta tendo a oportunidade de usufruir um pouco mais de conforto e outras sutilezas que passam batidas no meio de nossas rotinas. 

A senhora ao meu lado não conseguia esconder o sorriso, aquele sentimento de quem está alcançando um sonho de longo tempo. Embarquei naquele sentimento e percebi o quanto pequenos momentos podem nos encantar e fazer o dia ficar melhor. Não tem como esquecer a felicidade daquela mulher, com aproximadamente 60 anos, toda produzida dominicalmente. Ela tentava entender como sua poltrona poderia ser a 21N (número e letra?).

Uma graça, parecia uma criança descobrindo o mundo. Valeu o ingresso - voltarei mais vezes, só que com meu traje de domingo.

(Imagem retirada do site: http://3.bp.blogspot.com/_K7W25PFSWig/SdT-uNKEk7I/AAAAAAAAAO0/qVP3GMd2Kjs/s400/aviacao-low-cost.jpg)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Deixando um recado...

Tirando a poeira daqui... o ESCONDIDIN estava abandonado - coitado, mas eu estou voltando. É que estou numa correria nova, mas prometo que logo-logo volto com texto novo. Aguardem, amigos! E não deixem de se esconder por aqui, ok?


Inté mais.

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