Tocou a campanhia e ela foi antender. Olhou rapidamente para o espelho e ajeitou os longos cabelos. - Será que é ele? - perguntou intimamente, já esperando por uma resposta afirmativa. Passou mais uma vez a mão na cabeleira e sorriu abrindo a porta... Era o porteiro entregando a conta do condomíno. Murchou como uma rosa sem água e liberou um sorriu forçado. - Boa noite dona Márcia - disse o pequeno e sorridente porteiro enquanto a porta fechava em sua frente.
Ela jogou a conta no sofá e percebeu como se tornara refém desse homem. - Aff! - foi o que se ouvi. Permaneceu algum tempo na expectativa. Cada murmirinho no corredor era motivo para o coração palpitar - e ela torcia... e nada. Pegou pela trigésima vez o celular que insistia em não tocar. Reparou a hora no aparelho: Meia noite e quarenta e dois - disse em voz alta. Chega, vou dormir. A tristeza dessa mulher era tão evidente que até mesmo um desconhecido repararia. Resolveu tomar mais um banho, quem sabe na busca de uma resposta debaixo d'água.
Deitou forçada em sua cama. Percebia como a cama era grande para dormir tão só.
Do outro lado da cidade, Diego se questionava se devia ou não trocar de roupa. Chegara há pouco do boteco, onde acompanhara a derrota (mais uma) do seu time. Estava sem voz e visivelmente bêbado. Não que estivesse caindo, mas rodava um pouco sua mente. Não esquecera um só minuto do encontro com sua nova paquera (termo antigo, mas definidor desse início de relacionamento), não tinha condições de sair. - Acho que vou ligar para ela - pensou. Mas quando viu que eram duas da manhã, desistiu. - Droga! Agora já era - esbravejou.
Foi para o banho com uma dor na consciência danada (além da dor de cabeça da bebedeira). Se arrependeu daquele furo. - Esse time não presta mesmo. Além de perder, acabou com minhas esperanças... - disse um cambaleante Diego.
Comeu o que tinha na geladeira e pronto. Ligou a televisão e ficou vagando pelo pequeno apartamento com a cabeça longe. O efeito da bebida passara e ele remoia sua mancada.
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Os dois moravam sozinhos e ansiavam por companhia. Márcia resolveu esquecê-lo de vez, não atendia mais os telefonemas dele e, além disso, confessou as amigas que estava cansada dos homens. Passaria um longo tempo sem se relacionar com alguém. - Prefiro ficar só - concluiu amargurada.
Diego, por sua vez, tentava encontrar um meio para explicar sobre seu furo - não se conformava. Ela não o atendia e ele sentia vergonha de procurá-la pessoalmente. Inventou uma mentira caso a encontrasse. Não assumiria que o que causou aquilo tudo foi a derrota da Portuguesa. Prometeu ficar bem longe do seu time e continuar atrás de uma mulher especial.
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Passados quatro anos e a vida desses dois continuava parecida. Cada um em sua rotina, com seus empregos, seus amigos e sozinhos. Diego voltou a frequentar os jogos da Lusa e a acompanhar as partidas no boteco da esquina. Márcia completou trinta e dois anos e já não pensava mais em ter filhos. Até que um dia...
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Um dia, um sábado na verdade (pois estas coisas só acontecem num sábado), Márcia saía da casa da melhor amiga, Lurdinha, quando, ao atravessar a avenida, encontrou Diego, do outro lado e dentro do boteco com sua inseparável camisa da Lusa. Ele estava compenetrado no jogo e Márcia ficou observando. Foi se aproximando do bar e ficou numa posição que podia ver Diego sem ser vista por ele. Ela dividia a atenção entre Diego e a TV, olhava para o jogo e se interessava pela correria da partida. Portuguesa e Ponte Preta se enfrentavam, em Campinas. O jogo estava no começo... Ela passou toda a partida ali, naquela posição. Um senhor ofereceu sua cadeira à moça, que recusou sem piscar. Começava a entender e a gostar do que via lá na frente e na Tv.
O jogo acabou. Márcia esperou Diego passar por ela e o chamou. Os dois ficaram se olhando - uma eternidade...
-Tudo bem? - quebrou o clima Diego.
- Tô sim. Bela partida, né? - respondeu Márcia surpreendentemente.
Diego gelou, fixava seu olhar na mulher e tentava entender o que acontecia. Não disse nada. Pegou-a carinhosamente pelo braço e foram andando em direção a sua casa... Ali nascera, de fato, um grande amor.
Ah, antes que acabe esse longo encontro amoroso, a Lusa perdeu aquela partida: 4X3 para a Ponte Preta. O que importa, não é verdade?
Ela jogou a conta no sofá e percebeu como se tornara refém desse homem. - Aff! - foi o que se ouvi. Permaneceu algum tempo na expectativa. Cada murmirinho no corredor era motivo para o coração palpitar - e ela torcia... e nada. Pegou pela trigésima vez o celular que insistia em não tocar. Reparou a hora no aparelho: Meia noite e quarenta e dois - disse em voz alta. Chega, vou dormir. A tristeza dessa mulher era tão evidente que até mesmo um desconhecido repararia. Resolveu tomar mais um banho, quem sabe na busca de uma resposta debaixo d'água.
Deitou forçada em sua cama. Percebia como a cama era grande para dormir tão só.
Do outro lado da cidade, Diego se questionava se devia ou não trocar de roupa. Chegara há pouco do boteco, onde acompanhara a derrota (mais uma) do seu time. Estava sem voz e visivelmente bêbado. Não que estivesse caindo, mas rodava um pouco sua mente. Não esquecera um só minuto do encontro com sua nova paquera (termo antigo, mas definidor desse início de relacionamento), não tinha condições de sair. - Acho que vou ligar para ela - pensou. Mas quando viu que eram duas da manhã, desistiu. - Droga! Agora já era - esbravejou.
Foi para o banho com uma dor na consciência danada (além da dor de cabeça da bebedeira). Se arrependeu daquele furo. - Esse time não presta mesmo. Além de perder, acabou com minhas esperanças... - disse um cambaleante Diego.
Comeu o que tinha na geladeira e pronto. Ligou a televisão e ficou vagando pelo pequeno apartamento com a cabeça longe. O efeito da bebida passara e ele remoia sua mancada.
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Os dois moravam sozinhos e ansiavam por companhia. Márcia resolveu esquecê-lo de vez, não atendia mais os telefonemas dele e, além disso, confessou as amigas que estava cansada dos homens. Passaria um longo tempo sem se relacionar com alguém. - Prefiro ficar só - concluiu amargurada.
Diego, por sua vez, tentava encontrar um meio para explicar sobre seu furo - não se conformava. Ela não o atendia e ele sentia vergonha de procurá-la pessoalmente. Inventou uma mentira caso a encontrasse. Não assumiria que o que causou aquilo tudo foi a derrota da Portuguesa. Prometeu ficar bem longe do seu time e continuar atrás de uma mulher especial.
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Passados quatro anos e a vida desses dois continuava parecida. Cada um em sua rotina, com seus empregos, seus amigos e sozinhos. Diego voltou a frequentar os jogos da Lusa e a acompanhar as partidas no boteco da esquina. Márcia completou trinta e dois anos e já não pensava mais em ter filhos. Até que um dia...
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Um dia, um sábado na verdade (pois estas coisas só acontecem num sábado), Márcia saía da casa da melhor amiga, Lurdinha, quando, ao atravessar a avenida, encontrou Diego, do outro lado e dentro do boteco com sua inseparável camisa da Lusa. Ele estava compenetrado no jogo e Márcia ficou observando. Foi se aproximando do bar e ficou numa posição que podia ver Diego sem ser vista por ele. Ela dividia a atenção entre Diego e a TV, olhava para o jogo e se interessava pela correria da partida. Portuguesa e Ponte Preta se enfrentavam, em Campinas. O jogo estava no começo... Ela passou toda a partida ali, naquela posição. Um senhor ofereceu sua cadeira à moça, que recusou sem piscar. Começava a entender e a gostar do que via lá na frente e na Tv.
O jogo acabou. Márcia esperou Diego passar por ela e o chamou. Os dois ficaram se olhando - uma eternidade...
-Tudo bem? - quebrou o clima Diego.
- Tô sim. Bela partida, né? - respondeu Márcia surpreendentemente.
Diego gelou, fixava seu olhar na mulher e tentava entender o que acontecia. Não disse nada. Pegou-a carinhosamente pelo braço e foram andando em direção a sua casa... Ali nascera, de fato, um grande amor.
Ah, antes que acabe esse longo encontro amoroso, a Lusa perdeu aquela partida: 4X3 para a Ponte Preta. O que importa, não é verdade?