Pages

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Órgãos na prateleira.

Pequena reflexão desse blogueiro: Li na Folha online que na Espanha, abalada por um crescente desemprego na casa dos 15% da população ativa, a moda do momento é vender os órgãos para ganhar uma grana e vencer a crise. Isso mesmo, a população daquele país procura sites especializados (sic!) nesse comércio inusitado. São colocados a disposição dos compradores rins, pulmões e medula óssea. O desespero é tanto que é como se o cidadão deixasse um pedaço do seu corpo numa prateleira para ser comprada por algum interessado.

As autoridades espanholas já estão fechando o cerco contra esse tipo de site. Vamos ver até onde isso vai. Agora, caros amigos, já pensou se a moda pega no Brasil? Se a cada crise o povo brasileiro resolver leiloar um órgão? Teríamos um grande comércio, rodeado de pessoas (literalmente) vazias, fazendo ecos em seus corpos nus. Faríamos parte de uma nata da venda de órgãos. Qual cenário vocês imaginam para o Brasil nesse mundo dos "órgãos a venda"?

Deixem seus comentários.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Corrida física e mental.

Passei o cadarço no canto do dedo e parei minhas ações. Lembrei que continuar aquela caminhada era ir de encontro com interrogações que inflamam minha mente. Voltei para a ação de amarrar o tênis. Borbulhei interrogações que saiam aos montes. Caminhei para a porta e parti em direção ao nada. Conferi a música que começaria naquele momento e guardei o objeto tocar de mp3 no bolso. Mais uma vez caía uma leve chuva na cidade.

Andei alguns segundos para aquecer o corpo (e a alma) e comecei a correr. Os passos eram ditados pelo ritmo da batida que entrava pelos ouvidos. Eu parecia estar cego para o que se passava ao meu redor. Era o único ser que reinava naquele momento.

Com o passar dos segundos e dos minutos, meu corpo produzia um suor que ia de encontro com a garoa. Era uma mistura do quente com o frio; da impureza produzida pelo meu corpo, com a perfeição enviada pela natureza.

Minhas pernas cansavam de forma gradual. Iniciei uma diminuída de ritmo até parar completamente. Dali para uma leve caminhada, e da caminha para casa. Nesse caminho, passei por espelhos que refletiam aquele homem entregue as suas fraquezas físicas. Estava cansado e me sentia velho. Era uma sensação indescritível, mas real.

Cheguei em casa e devorei alguns copos de água. Impressionante o poder desse líquido mágico. Minhas coxas doíam, como se eu tivesse jogado uma partida de futebol por horas. Joguei-me no sofá adiando um pouco mais o merecido - e necessário - banho. Tentei entender essa loucura de sair de casa estando bem e voltar assim: um trapo. - Nós seres humano temos cada uma... - confidenciei para mim mesmo.

Enquanto me divertia com esse diálogo interior, caminhando para o chuveiro, pude perceber o quanto esse contestado exercício físico tinha aumentado minha auto-estima e minha disposição. É um verdadeiro paradoxo, mas esses poucos minutos mudaram completamente minha postura e meu ânimo. Sentia-me mais forte e pronto para continuar com o dia que se iniciava. Tomei o banho mais depressa para não perder esse ânimo surreal proporcionado pela atividade física. Lembrei o quanto isso faz bem e o quanto adio corridas que me levantariam aos céus.

Fiz mais uma promessa de continuar correndo com regularidade, pelo menos três vezes por semana. Mas, antes que me convencesse, já estava duvidando de mim mesmo. Aquele dia rendeu de mais, pena que três semanas se passaram e, hoje, aquela corrida abençoada virou uma lembrança e um incentivo para recomeçar amanhã.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Brasileiro na Argentina (Rafael Horta).

Meu primo Rafael Horta viajou até a Argentina para acompanhar seu time na Libertadores: O Cruzeiro. Pedi que escrevesse algo sobre a viagem, e ele nos presenteou com esse texto com suas impressões sobre o país. Espero que curtem esse passeio brasileiro em Buenos Aires. E aguardo o comentário de todos. Valeu pelo texto, Rafa.

---------------------------------------------------

Conheço muitas cidades brasileiras. Belo Horizonte não entra em questão, vínculos afetivos me impedem de avaliar a posição da cidade. Diamantina é 'hors concours' e não entra em questão. Pelo meu ranking, meramente pessoal e obviamente levando outros fatores aqui que podem afetar minha escolha, como companhia nas viagens, período do ano, tempo de estadia... entre outros, Buenos Aires ficou em quinto lugar.

Rio, Fortaleza, Caraívas/BA e Floripa, pela ordem, ficaram a frente no meu gosto. Porém Recife, São Luis, Vitória, Santos, Teresópolis, São Paulo e muitos outras foram preteridas. Eu explico.

O clima: excelente clima, um dos melhores que conheci. Calor de dia, frio de noite, sem exagerar tanto em um como outro. Clima melhor só de BH, isso ninguém supera a gente!

Receptividade: Razoável. Em alguns restaurantes fomos bem atendidos como em São Paulo e Santos, em outros fomos tratados igual BH e em uns bares de Vitória. Parecendo que estávamos fazendo um favor em comer ali. Tentam tomar nosso dinheiro de qualquer forma, em um restaurante não queriam dar o desconte de 20% de um flyer, isso mesmo! 20%. Somos bobos não, brigamos e conseguimos! Táxi tenta dar volta, e tem gente na rua tentando levar a gente para boates de strip e lá dentro tomar nossa grana. Teve um caso desses na turma, um cara no primeiro dia, antes de todo mundo chegar, que entrou nessa e o segurança pegou até sua carteira.

Segurança: Melhor que das grandes cidades brasileiras (Rio, São Paulo, Santos, BH) mas nada comparável à São Luis, uma capital exemplar nesse aspecto. A noite e de madrugada saíamos andando dos lugares, mais de 10 quarteirões no centro. Não faria isso em BH. A polícia foi excelente e exemplar no jogo do Cruzeiro e horrível e despreparada no jogo do Boca (cidades diferentes: La Plata e Buenos Aires).

Pontos Turísticos: Fui no Porto Madeiro, La Bombonera (dia de jogo), Caminito (La Boca), Casa Rosa, Praça da República, Café Tortoni entre outros. Belos prédios, cultura bem rica e diferente da nossa. Faltam mais atrativos naturais (como o Rio, Floripa, Fortaleza) e belas praias (um dos
motivos para o quinto lugar), mas por outro lado tem meios de transporte excelentes: táxi muito barato, cerca de 30% do valor de BH, ônibus barato e que vai em todo lugar e passa com boa frequência, metrô que atende bem as necessidades (não andei). Além de um trânsito melhor que nas grandes cidades brasileiras.

Futebol: minha paixão, paixão deles também. Sempre falam de futebol. Sempre! Tem um respeito muito grande pelo Brasil. No estádio cantam coisas do tipo: "Maradona é, Maradona é, Maradona é melhor do que Pelé!" ou "(...) Brasileiros... filhos da p***!". Entre as curiosidades futebolísticas:
- 1 camisa do Flu (porque eliminaram o Boca);
- 1 camisa do Fla;
- 1 camisa do SP;
- 3 camisas do Atlético (estava cheio de Mineiros querendo fazer graça);
- Várias camisas do Grêmio, Inter e Cruzeiro (os times brasileiros mais conhecidos lá junto com São Paulo);
- Um taxista me perguntou: que time é esse "tal" de timão que o Ronaldo está jogando?;
- Eles tão com a Bolívia engasgada por causa do 6x0. Aproveitamos muito disso lá...rs;
- Um menino de rua nos viu com camisa do Cruzeiro e rindo muito falou:
Atlético, ano passado, Centenário "sem ter nada"!!!! (kkkk...pagou nossa viagem!);

Para quem é cruzeirense, dá muito orgulho ir na Argentina. Sinto que meu time é mais valorizado lá do que no restante do Brasil. Várias pessoas "zoaram" a gente por causa da derrota, mas aí falávamos: ainda somos os primeiros em nosso grupo! E respondiam: "Vero! Cruzeiro es mui fuerte (sic)" Chamam nosso time lá de "La Biesta Negra". Nunca tinha ido à um lugar que o Cruzeiro fosse mais conhecido do que Flamengo e Corinthians. Mandarei para vocês depois um texto sobre a ida ao jogo (que perdemos de 4x0 para o Estudiantes) e ao jogo do Boca no La Bombonera. Coisa de maluco!

Abração à todos!
Rafa

Páscoa passou.

Ufa! Voltei ao ESCONDERIJO depois de vagar por uns dias por outras bossas. Nada de especial, apenas um tempo deixando de lado minhas obrigações no estudo e - consequentemente - no blog. Agora estou de volta, com força máxima, tanto lá quanto cá. E trago boas novas de um mundo cheio de velhas notícias. Nada de novidade, somente os tremores de terra na Itália, causando muita dor e muita morte. E notícias boas? Notícias boas... Bom, temos a Páscoa e o feriado passado. O brasileiro esnobou a crise mundial e acabou com os chocolates das prateleiras de mercados e lojas do ramo. Impressionante!

Eu sou uma testemunha ocular desse fenômeno. Como não poderia deixar de ser e fazendo jus ao grande coro da maioria dos brasileiros, deixei para comprar meus (humildes) presentes em cima da hora - mais exatamente na tarde do último sábado. E, para minha completa surpresa, não havia mais ovos de Páscoa. Sério, não se trata de desculpa esfarrapada de quem ganhou, mas não presenteou. Fui em alguns estabelecimentos da cidade e as gôndolas estavam vazias, só havia ovos quebrados e de marcas (bem) desconhecidas. Pior que esse fato, é justificar o tão desejado presente para as pessoas queridas. - Não tinha mais ovo. - eu disse cabisbaixo e quase não acreditando nas minhas palavras.

Tenho que me antecipar no próximo ano. Estou pensando em garantir os (poucos) chocolates um mês antes da Páscoa. "Apareceu nas lojas, vou correndo comprar" - esse é o meu novo lema. Chega de desculpas e de mãos vazias na Páscoa! Ah, vale lembrar também - como podia esquecer - que a Páscoa é um bom momento de reflexão, de pensar na ressurreição de Cristo e de tentar colocar em prática uma vida melhor e mais justa entre as pessoas. Antes que comece a me alongar com esse momento de introspecção, desejo (atrasado, como sempre) uma ótima Páscoa a todos. E que todo esse simbolismo sirva para refletirmos o mundo que estamos construindo e o que queremos para as futuras gerações. Fazendo nossa parte colheremos ovos de Páscoa recheados de boas novas.

Doce vida para todos.

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

Total de visualizações de página

Facebook