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domingo, 25 de janeiro de 2015

O que te incomoda?

A gente já sente as marcas desse mundo virtual nos rodear o tempo todo. Conforme-se, meu veio, se conforme com esse imediatismo rotineiro... Faço esse mantra pra mim mesmo porque sou um dos mortais ligado demais aos aparelhos tecnológicos prestes a trazer uma nova mensagem, à mão para saber as notícias dos amigos, a vida de pessoas que de diversas formas cruzam essa nossa passagem no mundo.

Mas umas particularidades me incomodam mais nesse frio mundo virtual: Percebo a multiplicação da carência das pessoas, a escorrer pelas telas do computador. Será um sinal mesmo desse momento que vivemos, onde a ausência(física)/presença(o tempo todo virtualmente) dos que nos cercam se acentuam cada vez mais? Ou será o mero fato de possuir um mecanismo capaz de dizer ao mundo o que se está fazendo, de compartilhar os momentos de felicidade, de angústia, a comida que se come,...? Sei lá.

Dessa insana constatação, uma me diverte (talvez até um pouco cruel, mas é esse o sentimento: diversão), em particular: Como tem gente achando que existem muitos invejosos de plantão de olho em suas vidas!? É muito interessante esse fenômeno. As vezes fico pensando que perdi alguma parte da festa, parece que meus conhecidos se tornaram famosos e eu nem percebi, tamanha preocupação com os "olhares gordos" em suas direções. Doce mundo virtual!

Viver o momento do "chuta as invejosas" não é caminhar num mar de rosas. Acredito que ainda estamos tateando essa convivência com essas novidades, essas máquinas nos acompanhando 24 horas. Chegaremos num meio termo, sem abrir mão das facilidades que elas oferecem, mas, ao mesmo tempo, tendo noção de usar nos momentos adequados. Será?

E o que dizer do "pau de selfie"? Uma jogada de mestre do inventor, bato palmas, e não descarto um objeto desses, é uma ótima ferramenta para tirar fotos com todos os amigos reunidos, sem deixar de fora o sujeito do click. As vendas do PDS dispararam no verão, virou uma febre brasileira, um retrato mais fiel desse mundo virtual. As fotos agora são tiradas de fora pra dentro, para registrar a gente, sempre a gente. Redescobrimos o umbigo e temo que o centro da Terra se encaminhe para essa parte do corpo um tanto quanto.... esquisita.

Me incomoda, muita coisa me incomoda...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vizinha do 61.

Há um ano moro sozinho e, desde então tenho observado com mais calma os fatos que acontecem ao meu redor. No 61, logo aqui em cima, mora uma senhora sozinha. Deve ter uns setenta e alguma coisa e, coitada, sofre de problemas psicológicos, fruto da idade - e de abandono também. O aspecto é de mulher sofrida, corpo magro, rosto triste e com as expressões faciais abatidas. O olhar perdido denuncia as restrições psicológicas, de quem jamais poderia morar sozinha.

(Imagem retirada do site: http://goo.gl/yhPbGm)

Lá de cima ela joga tudo - sofro com esse desprendimento. Já voou café, papel molhado, roupa, panos e até um ovo, que não posso garantir, mas, pelo histórico, acho que veio diretamente do 61. Os passos dela pela noite são como de alguém vagando por uma rua desconhecida, é agoniante. Esses dias essa senhora estava brigando sozinha, dizendo palavrões aos montes, numa batalha campal com algum desconhecido. Os outros vizinhos, pouco compreensivos e muito impacientes, se agitaram numa gritaria desnecessária, mandando-a calar a boca, "sua velha louca". O silêncio veio logo depois, fiquei imaginando o sofrimento dela...

Ela dorme numa rede, e o barulho do vai e vem é como uma marcação de um relógio que sinto dentro de casa. Um dia tive que visitá-la. Junto com o pedreiro e alguns curiosos fomos verificar um possível vazamento no banheiro que estava atormentando minha vida (morar sozinho não é fácil, é preciso bater o escanteio, cabeçar e correr para fazer a defesa). Pela primeira vez entrei na casa 61, a falta de móveis me assustou. Só havia a rede, uma televisão em cima de uma cômoda, e nada mais. Ah, importante salientar, vivo numa kitnet, desses imóveis de 20m², onde sala e quarto são sinônimos e cozinha é um espacinho reservado no canto do quarto/sala. A casa dela é igual a minha. Ela só tem uma TV, uma cômoda e a rede.

Entramos na casa, sob total desconfiança da moradora. Enquanto visualizávamos o banheiro, ela ia proclamando impropérios para gente, em voz baixa, angustiante, inaudível. O banheiro era um caos! Minha mente, seletiva como só, apagou a imagem, mas o que não tem como esquecer era a maneira como ela tratava o vazamento que, pelo visto, já se instalara há tempos. Ela abusou do uso de massa branca, vedando passagens da água no banheiro. O canto das paredes estava branco e encharcado, lógico que a água tinha que jorrar... na minha casa.

Enquanto descíamos as escadas, o faxineiro tentava me explicar: - Essa mulher é maluca, vive aí sozinha... Silenciei. O vazamento foi consertado, o trabalho começou lá no 61 e terminou no meu apartamento, dias depois. 

Os barulhos diários dessa senhora são melancólicos, perdidos como seu olhar, mas, talvez ela não saiba que, de alguma forma, essa sua solidão me faz companhia. A rede balança nos meus ouvidos, meu varal recebe os lixos de lá de cima, mas, ainda sim, consigo sentir que pelo menos ela ainda está viva e que tem alguém, literalmente, atento aos seus passos.

Nesse momento, ela parece balançar na rede como uma criança, tamanha velocidade que o barulho sugere.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A arte de seduzir - Frei Beto.

Hoje peço licença aos amigos escondidos nesse blog para publicar um texto do Frei Beto, escritor e filósofo sábio em suas reflexões. O texto que os amigos irão ler foi publicado no jornal O GLOBO, domingo, dia 20/02/2011. Uma ótima análise sobre nossa sociedade nos dias atuais. Deixem seus comentários e deliciem-se com esse texto.

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A arte de seduzir - Frei Betto


Toda ditadura é megalômana. E a que governou o Brasil sob botas e fuzis, de 1964 a 1985, não foi diferente. A construção da rodovia Transamazônica simboliza a arrogância do regime militar.

Rasgou-se a selva de leste a oeste. Abriu-se a estrada em paralelo a caudalosas vias fluviais. Em vez de aprimorar o sistema de navegação pelo Rio Amazonas e seus afluentes, a ditadura preferiu obrigar a floresta a ajoelhar-se a seus pés. Possantes máquinas puseram abaixo árvores milenares encorpadas de madeiras nobres, destruíram ecossistemas preciosos, alteraram o equilíbrio ecológico da região.

Tudo em nome de uma palavra tão propalada e, no entanto, vazia de significado: desenvolvimento. Leia-se: exploração predatória da maior floresta tropical do mundo, aberta à voracidade de mineradoras, madeireiras e, sobretudo, do latifúndio predador, quase sempre movido a trabalho escravo.

“No meio do caminho havia uma pedra”, repetiria Drummond. Povos indígenas. Como impedir que oferecessem resistência? Simples: através da arte de seduzir. A Funai ergueu tapini (cabanas de folhas). Dentro, utensílios de caça e cozinha, ferramentas etc. Os índios, encantados com os objetos, acolhiam gentilmente os caraspálidas. E ingenuamente eram cooptados pelas relações mercantilistas. Em troca de bugigangas perdiam saúde, terras, liberdade e vida.

Detalhe: o mato, não o gato, comeu a Transamazônica, fonte de riqueza e poder de umas tantas empreiteiras.

Hoje, os índios somos todos nós. Os tapini, os shoppings, a publicidade, as veneráveis bugigangas que nos agregam valor. O inumano imprime sentido ao humano, como faziam os deuses de ouro denunciados pelos profetas bíblicos: tinham boca, mas não falavam; olhos, mas não viam; ouvidos, mas não escutavam; pés, mas não andavam...

Estamos todos somos sob o efeito hipnótico do consumismo. Não importa se o produto é frágil ou de má qualidade. Seu design nos cativa. Sua publicidade nos faz acreditar que estamos comprando a oitava maravilha do mundo! E, ingenuamente, que se trata de um produto durável, mesmo conscientes de que o capitalismo não se importa com o direito do consumidor, e sim com a margem de lucro do produtor.

Como se livrar do labirinto consumista que, na verdade, se consuma nos consumindo? Não vejo outra porta de saída fora da espiritualidade, somada a uma nova visão do mundo. Sem espiritualidade corremos o risco — sobretudo os mais jovens — de dar importância àquilo que não tem. Imbuídos da baixa autoestima que nos incute a publicidade (“você não é ninguém porque não possui este carro, não veste esta roupa, não faz esta viagem...”), encaramos a mercadoria como algo que nos agrega valor. Não basta a camisa, a bolsa ou o tênis. Têm que ser de grife, com a etiqueta exibida do lado de fora. Assim, todos à nossa volta haverão de reconhecer o nosso status. E quiçá invejar-nos. E aquele ser humano que, ao lado, carece de produtos refinados, é visto como não tendo nenhuma importância. Pois não se enquadra no atual princípio pós-cartesiano: “Consumo, logo existo.”

É espiritualizada toda pessoa cujo sentido de vida deita raízes em sua subjetividade e cujas opções são movidas por ideais altruístas. Ela não faz do que possui — conta bancária, títulos, casa, carro etc. — seu fator de autoestima. Sabe que tem valor em si, que não é nutrido pela posse de bens, e sim por sua capacidade de fazer o bem aos outros. Sua autoestima se funda na generosidade, solidariedade e compaixão. Ela é feliz porque sabe fazer outras pessoas felizes.

O mercado tudo oferece. Todos os seus produtos nos chegam embrulhados em papel de presente: se compramos este carro, seremos felizes; se bebemos aquela cerveja, nos sentiremos alegres; se adquirimos tal roupa, ficaremos joviais. O único bem que o mercado jamais oferta é justamente este que mais buscamos: a felicidade. No máximo, o mercado tenta nos convencer de que a felicidade é o resultado da soma de prazeres

Ora, a felicidade é um bem do espírito, jamais dos sentidos, da cobiça ou da arrogância. É feliz quem ousa destampar o próprio ego e conectar-se com o Transcendente, o próximo e a natureza. Esse irromper para fora de si mesmo tem nome: amor. E se manifesta nas dimensões pessoal, no dar de si ao outro, e social, no empenho de construir um mundo melhor.

FREI BETTO é escritor.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

SOS TERESÓPOLIS 2.

Ouvindo Casuarina - O Canto do Trabalhador - pra driblar das notícias.. Relembrando os momentos maravilhosos que essa cidade me proporcionou, os amigos que me permitiu fazer, os amores que desenharam forte na minha pele... redescobrindo Teresópolis, mesmo no meio de tanta coisa, tanta tragédia.

Mas os dias estão sendo longos, verdadeiros teste de resistência. Mas nós daremos conta, reconstruiremos belos vales nas montanhas serranas, muitas histórias se escreverão nesse agradabilíssimo ar puro, no verde triste, mas forte...

Pequena passagem pelo ESCONDIDIN, só para refletir, só para não dizer que não passei por aqui, só para redesenhar o mapa interior de Tere. Estamos por aqui, a cidade não está entregue não.


Outra hora eu volto.

(Imagem de arquivo pessoal)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

SOS TERESÓPOLIS.

Anestesiado, olhos arregalados, cabisbaixo, cansado, triste, com medo, mas lutando... Parece um cenário perfeito de um personagem de filme, mas trata-se do semblante da população de Teresópolis depois dessa tragédia que atingiu a cidade. 

Fomos surpreendidos pela intensidade das chuvas na madrugada de terça-feira, fomos vítimas de uma força descomunal da natureza e de uma força de menos dos homens detentores do poder, nossos políticos. Agora todos choram, todos lamentam e tentam encontrar respostas e forças para reagir. 

A solidariedade impressiona, a união de pessoas de várias classes socias separando alimentos, separando roupas, brinquedos, artigos de primeira necessidade; separando dor e tentando encontrar uma fórmula de trazer um pouco de recomeço.

Ontem me arrepiei, tive que parar para respirar depois que vi uma criança chorando porque queria voltar para casa e a mãe tentava acalma-la: - Meu filho, não temos mais casa. Vamos tomar um banho e dormir no abrigo. Nossa, eu tenho casa, eu tenho tudo e sou impotente. Por mais que erga as mangas, por mais que ajude de todas as formas a impotência é minha, o sentimento de culpa compartilho com os responsáveis.

Conforta mesmo, e chega a rasgar um sorriso no meu rosto é ver uma senhora, que mesmo desabrigada, e com dificuldade de se levantar enquanto toma um cafezinho, me responde na maior doçura: - Esse cafezinho está ótimo. - Essa noite a senhora terá um sono de paz, né? - perguntei e ela me respondeu, com um sorriso de arrepiar: - Com a graça de Deus, meu filho, com a graça de Deus... - segurei o choro e sorri pra ela, apaixonei-me por ela, na verdade. Não sei seu nome, seu bairro, sua história de dificuldade, mas o que aprendi nesses minutos de conversa levarei para sempre comigo...

Dois meninos, um de 4 anos e um de 6 chegaram acompanhados do pai me pedindo umas roupas para eles colocarem depois do banho no abrigo. O mais novo, sorridente demais, estava pelado e se divertia com a brincadeira do povo. O baixinho de 6 anos, chamado Lucas, me perguntou: - Tio, não tem uma camisa do Flamengo não? Sorri pela espontaneidade, lembrei das minhas várias camisas rubro-negras no armário, mas ali não tinha nenhuma. Conseguimos uma do Brasil, a 10 do Ronaldinho. Falei: - Viu, não tem do Flamengo, mas tem a do novo craque do mengão. Ele saiu todo bobo em direção ao banheiro, de mãos dada com o irmão peladão...

Esses momentos são fundamentais para colocarmos nossos pés no chão, vermos que perdemos muito tempo dando valor a coisas não muito importantes, preocupados em consumir, em trocar de celular, em comprar Tv de plasma, em comprar e comprar....Mas a vida é tão simples, o sorriso é tão barato, é tão sincero e ensina tanto... Não precisamos abrir mão de boas coisas da vida, de não usufruir dos confortos dignos do suor do trabalho; mas isso é pequeno, isso se perde, isso a chuva leva. Já os sentimentos, os laços, as amizades e o sorriso não há catástrofe que abale. Ontem tentei ajudar, hoje fui lá outra vez, mas o maior beneficiado fui eu. Guardo para mim o sorriso daquela senhora e acredito demais na solidariedade do ser humano. Teresópolis precisa de ajuda - e nós também.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Causo do pernilongo.

Essa história é real, ou melhor, é realmente baseada numa história real; mas é ficção.
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Trabalho nesse prédio há quinze anos. Já vi cada coisa nas dependências do condomínio que Deus até duvidaria dessas palavras tão fiéis. Mas é verdade, de namoros proibidos a ladrões tentando invadir essa área; de tudo um pouco já passou pelos olhos desse humilde servo de Deus.

Mas outro dia... ah esse outro dia foi incrível! Se não sabem, moro num quartinho que fizeram aqui embaixo, coladinho com os carros – eles aqui costumam chamar de quartinho da garagem. Lá vivo com Lurdes, a flor mais formosura que o Homem lá de cima colocou na minha vida. Estamos juntos há 22 anos, não temos filho porque é barriga demais pra alimentar e temos espaço de menos pra criar um cabritinho novo. Mas vivemos bem, ela cuida da faxina de uns apartamentos do prédio e o resto, todo resto da estrutura imobiliária (faxina e serviço de jardinagem) sou eu o responsável – qualquer problema é só me procurar: Zé Pedro às ordens.

Pois bem, deixa eu contar logo esse caso do domingo da outra semana já que logo-logo volto pros meus afazeres. Olha – coçada nervosa na cabeça – era um domingo, por essa luz que ilumina que o que eu vi foi verdade. Tem um senhor que mora sozinho num apartamento aqui do prédio. Ele vive dando umas fugidas no fim de semana e só retorna no domingo – já se falou muito aqui pra onde ele tanto vai nos fins de semana, mas intrometo não, minha relação é profissional com os moradores... A verdade é que nesse dia saí de casa (meu cantinho e da Lurdes) no intervalo do fantástico, aquele programa da televisão, para molhar umas plantas secas de sede... Esse morador de nome meio americano - acho que é seu Iná, mas não sei pronunciar - estava encostando o carro na garagem...

Ao estacionar percebi que ele demorou demais para sair do carro; melhor ainda, isso tenho que dizer com toda humildade é que sei observar sem ser observado. O homi de nome das Américas parecia incomodado com a presença de um mosquito dentro do carro. Jesus, a briga do homi com o inseto estava ficando séria... Ele batia no vidro, tentava pegar o bicho com a palma das duas mãos e nada. Vich, lembrei na hora do conselho de minha velha mãe quando mudei pra cidade grande pra ganhar a vida: - Filho, esse povo de cidade fica meio bitolado. A gente não consegue compreender as coisas que eles fazem não – sábias palavras de mamãe (que Deus a tenha...) eram essas diante dessa cena tão inusitada.

Lurdes estranhou meu atraso e veio atrás de mim – é ciumenta a garrucha (apelido nosso), viu? Expliquei a situação e ela me ajudou a tentar compreender. Naquele momento da chegada de minha garrucha, o homi estava pulando de um banco para o outro do carro, já tinha aberto os dois vidros da frente (num complexo botãozinho preto) e nada de sair, ou melhor, e nada do tal do pernilongo entrar no carro e do homem das Américas sair de lá... Ele já estava com a testa suada, cara de brabo que só e o pobre do bicho parecia zombar do poderoso do 301.

Lurdes ria que era sem parar. E eu brigava com ela: - O muié, nós não podemos rir dos patrões não. A situação ali é séria, viu? – franzindo as sobrancelhas. Quase que tomei frente à situação, ia lá ajudar o pobre do homi, mas tive medo de ser chamado do enxerido, deixa seu América se resolver por lá...

As portas do motorista e do carona já tinham sido batidas em tentativas frustradas de sair de lá. O senhor das Américas estava em posição de ataque, quieto, como que olhando para a presa esperando o melhor momento do ataque.Lurdes mordia os panos de prato pra não soltar o riso. Pronto, depois de muito tempo, de muita luta e muito suor, o homi conseguiu sair do carro sem deixar o inseto entrar. Eu já ia em direção ao meu quartinho, quando Lurdes chamou minha atenção, vermelha que só, para o carro novamente: - Oiá lá, bem...

Num é que o homi tranquilamente se encaminhava para o porta-malas, pra pegar um troço qualquer lá, mas – juro por essa luz, meu Deus – todo o trajeto era observado de perto pelo inseto. Já relaxado e assoviando aquele tal do Peixe Vivo, Iná abriu o porta-malas, colocou a mochila nas costas e quando foi bater a porta, foi surpreendido pelo astuto do pernilongo. O bicho conseguiu entrar no carro, olhou pro homi do 301 e riu – juro que riu, Lurdes também viu, por essa luz que me ilumina!

domingo, 30 de maio de 2010

Chapinha na mochila.

É amigos, não estranhem o título do post de hoje, é isso mesmo que vocês leram: Chapinha na mochila. 

Os anos vão passando, vamos envelhecendo e ficamos, cada dia mais, surpresos com as novidades da molecada. Outro dia eu voltava para minha casa do cursinho, de ônibus e, para variar e pelo tenso horário, o ônibus estava lotado de crianças indo para suas escolas. Fiquei ali na minha, sentado no fundão, mas só prestando atenção na conversa de duas meninas que aparentavam ter, no máximo, quinze anos. Uma delas, a mais bonitinha - mas bem metidinha (desculpem o pré-conceito, mas não consigo definir de outra maneira) - portava uma mochila enorme, quase do tamanho dela, e socada de objetos que (imaginei) fossem material de escola. 

Até aí tudo normal, papos de criança mesmo, coisas sobre os meninos da sala, sobre o celular novo..., até que a figurinha brada com todo pulmão: - Trouxe minha chapinha na mochila. Vou aproveitar que a gente vai chegar um pouco mais cedo para arrumar o cabelo no banheiro da escola.
- O que? - perguntei para mim mesmo. Fiquei assustado com o desenrolar da conversa: As duas ali, na maior naturalidade falando da esperteza de uma estar portando a tão sonhada chapinha de cabelo. Como as coisas estão mudadas!!

Tentei puxar na minha memória o tempo que eu tinha quinze anos. Puxa, minha vida se restringia ao colégio, muito futebol e umas (não muitas) paqueradas na escola. Até as meninas da minha sala, já se assanhando pela prenúncio de uma adolescência, não tinham aquele comportamento tão fútil, tão sem conteúdo, tão vazio.

Tudo bem, uns podem me chamar de velho, de conservador e até de preconceituoso, mas, para mim, não é algo natural uma criança de quinze anos levar chapinha para a escola. Vejam, caros amigos, como os valores estão distorcidos! Que adulto se tornará essa menina? Que importância ela dará a sua família, seu trabalho, seus amigos? Será ela uma vítima do nosso mundo cego pelo consumo, onde o que serve e quem serve é aquele que pode ter as coisas, ou parecer ter as coisas? 

Essas perguntas invadiram minha mente quando desci no meu ponto. Olhei com certa pena aquela menina indo embora dentro do ônibus. Fiquei pensando nos pais dela, no que ela tem, de fato como algo a ser valorizado na vida. Será exagero meu, meus caros?

Tive muita vontade de conversar com ela, perguntar o que de fato ela acha relevante? Qual a escala de importância em ter um celular de ponta, e cultivar uma amizade verdadeira?! Mas, claro, ainda não cheguei nesse estágio de insanidade. Fiquei assustado, confesso! As coisas materiais e os relacionamentos descartáveis estão tomando lugar de laços de verdade. Tudo se resume a nossa (horrível) lógica do consumo: - Compramos o aparelho mais moderno para sermos reconhecidos como parte de um grupo e utilizamos aquele objeto até que ele perca seu status. Em seguida, descartamos o aparelho substituindo-o por outro. 

Essa é a lógica do consumo! O pior, no entanto, é quando essa lógica começa a valer também para as relações pessoais: - Utilizamos (as vezes de forma inconsciente) a pessoa (ou grupo de pessoas) até achar outra (outras) mais interessante(s), descartamos a anterior e entramos novamente nesse triste ciclo de relações superficiais. E assim vamos descartando, não só os relacionamentos, como também nossas próprias vidas. E experiências verdadeiras e marcantes deixam de ser vividas, tudo em nome dessa futilidade contagiante.

(Imagem retirada do site: http://www.jjcabeleireiros.com.br/uploaded_images/chapinha-cabelo-taiff-760987.jpg)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

...crescendo...

É curioso constatar como o amadurecimento é um caminho sem volta. Mas digo isso no sentido mais positivo do termo. Tirar lições de momentos difíceis, aprender com os problemas e percalços que a vida nos apresenta é inevitável e essencial para o crescimento.

Curioso: as vezes, no meio do olho do furacão, sofrendo por qualquer problema é que nos deparamos com forças interiores que, muitas vezes, jurávamos não ter. Esses momentos agudos de dor - as vezes durando algumas semanas ou meses - nos trazem lições mais definitivas do que anos vivendo na normalidade, com poucos obstáculos; tudo “controlado”.

E vamos aprendendo e amadurecendo sem perceber muito bem. O lado de dentro do ser humano vai sendo mudado pelos acontecimentos e, muitas vezes, não temos tempo (ou não queremos) para enxergar essas mudanças.

Lógico que seria mais fácil aprender as mesmas coisas nos momentos bons, como que nos alertando que não precisamos da dor para aprender isso tudo. Mas não, isso é impossível... Nas dificuldades é que lutamos fortemente para manter a rotina mais simples, para continuarmos olhando adiante para aquela luz que não se apaga.

O que se leva disso tudo? Nosso passado é definitivo, mas nosso presente e nosso futuro dependem dos passos que damos. E, para aqueles que acreditam em Deus (algo maior), como eu, há coisas no mundo que só Ele pode explicar. Mas, é claro, que as chaves do futuro também dependem das nossas escolhas.

Além disso, e para encerrar nosso bate-papo, como é bom ter amigos nesses momentos de dor. Eles funcionam como grandes molas de incentivo, não nos deixando ir ao chão, mesmo quando parece inevitável. Quem tem amigos de verdade entende essa relação (nisso eu sou um sortudo!). É dedicação - cada um de sua maneira - para toda hora.

E, como diz a música Mar de Gente, do Rappa:

“Brindo a casa,
Brindo a vida,
Meus amores,
Minha família”.

Amigos que se escondem por aqui, não deixem de comentar.


(Imagem retirada do site: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3-ob-xgjgSPaBTN11AulllvsHs_P-JfJGqlIZefepopJmGAQ5k4a3MUa2GjDteK3vtUvta01r80xUKyAa2xTqyPgsDmKwNrp_kr9E2PTeMzFUKZZHLuGPttG87TOGyIvYbEbX_2umlGc/s660/corrente-amizade.jpg)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Há Momentos".

Abrindo alas para Clarice Lispector... Vejam que belo texto:

Há momentos

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre".

Bela reflexão, não?


(Texto retirado do blog da Grabiella: http://gabriella-beth-invitti.blogspot.com/)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O curioso beicinho do ex-rei.

Vocês conhecem a história daquele “tiozinho” que, depois de passar anos trabalhando num mesmo cargo, se aposenta e passa - devido a inatividade - a azedar bravatas sobre o seu substituto?! Pois é, esse mesmo senhor, que por anos ficou centralizado sob as luzes do poder, apequena-se num mundo novo, onde sua fama e suas transloucadas idéias soam como vozes inauditas pelos demais. Esse ciclo de troca do poder, onde a cadeira de rei de hoje será ocupada por uma nova majestade amanhã, muitas vezes produz um instinto depressivo em quem perde a coroa e fica resmungando do novo sucesso no reinado. Não adiantam os chiliques da elite inconformado por essa troca, não adianta os que apelam por qualquer motivo para desqualificar o novo Rei, o sucesso está nas ruas, na aprovação dos súditos ao novo monarca, de uma forma simples, cristalina, daqueles que sempre sofreram com a pobreza, mas que, pelo menos agora, vêem uma saída para suas dificuldades.

O novo rei, aliás, poderia ser mais poderoso se cumprisse de fato com o que prometia em suas subidas ao palanque: falta maior investimento em educação e, principalmente, em saúde; mas, pelo menos agora as coisas estão - mesmo que vagarosamente - andando. As universidades federais percebem o investimento melhor em pesquisas científicas, com apoio de empresas estatais em projetos de suma importância para o desenvolvimento do país, abrindo espaço para o crescimento dos jovens pesquisadores. O campo diplomático brasileiro nunca foi tão valorizado, o país nunca foi tão respeitado lá fora e visto (quase) de igual para igual com grandes potências de outrora. Mas isso passa em branco em mentes cegas de quem quer enxergar aquilo que interessa. Aí não há argumentos para gastar nesse humilde blog que faça a pessoa pensar ao contrário - nem pretendo isso, na verdade. Cada um segue suas idéias. Só acho curioso é que, em grande parte das vezes, o argumento para desqualificar o atual monarca seja o escracho de um sujeito simples, oriundo de um trabalho braçal, mas que chegou ao poder com toda limpeza que uma democracia proporciona. Isso não importa, o que vale, na verdade, é o inverso da lógica do time de futebol. Vamos a ela:

Suponhamos que um torcedor do América do Rio veja as eleições para a presidência do clube se aproximarem. Ele, como todo fanático, tem seu candidato de preferência por “n” motivos. Só que, pelo fato de ser uma eleição democrata, ele percebe a derrota do seu candidato e, mais que isso, a vitória do sujeito que ele menos gostaria. Pronto, está tudo acabado. Ele não mais torcerá para seu clube, deixará de ir aos estádios, e mais, torcerá para que o América permaneça no submundo do futebol brasileiro, certo? Claro que não, independente das questões políticas, ele será fiel ao seu princípio de ligação ao clube, torcendo para o sucesso daquela nova gestão, mesmo que para isso, lá na frente e de volta a elite do futebol nacional ela reconheça: É, o presidente fez um ótimo trabalho e merece continuar no cargo!

Tracei esse paralelo mesmo percebendo que os sentimentos entre política e futebol, apesar de algumas semelhanças, são de intensidades diferentes. Até confesso, não sou hipócrita, que quando um candidato está no poder, contra meu gosto pessoal, procuro muito mais os defeitos do que reconhecer as qualidades, acredito, inclusive, que isso seja natural do ser humano. Só não entendo, caros amigos, como os argumentos de pessoas esclarecidas, vão ao limbo para desqualificar o rei e seus pares. A falta de razão se mistura com um sentimento infantil de desqualificar por desqualificar. Argumentos completamente irracionais sobem ao tabuleiro das relações cotidianas e até assustam pelas palavras impensadas. Coisas do tipo: “metalúrgico no poder?! Argh...”; “fizeram filme para homenageá-lo, já ta querendo eleger a Dilma”; “nove dedos em reunião da ONU, que vergonha pro Brasil”; outro que ouvi de um senador do DEM, no programa “Pânico, da Rede TV”: “esse senhor faz aniversário?!...risos de deboche”; ou, “ele podia morrer de gripe suína, ou ser assassinado no carro aberto“... Esse desqualificar por desqualificar é até engraçado quando vem de pessoas humildes, sem instrução, que falam até sem maldade certas coisas, até por se sentirem excluídas da sociedade e saberem que ninguém ouvirá (ou levará a sério) aquelas palavras; mas têm pessoas que você até se assusta quando ouve coisas desse tipo...

E por fim, até para encerrar esse já longo texto, me arrepio com o ex-presidente FHC, sobre o governo atual. Ele tem todo o direito de criticar e até certa razão em alguns pontos de vista, mas é de um rancor tremendo que chega a dar dó. A última coluna do ex-presidente que li no O GLOBO de domingo, foi de uma mágoa daquela criança que era a mais querida da turma, mas vê entrar na sala um novo colega que ofusca todo seu sucesso. Fica na minha idéia, um senhor que governou o país por oito anos, escrevendo artigos com um beicinho inconsolável, dentro de seu amplo apartamento em Paris, dando goles em vinhos que nunca beberei, soluçando em palavras estrangeiras, inconformado com os números de aprovação do sucessor e tentando desqualificar o atual governo a qualquer custo. Um papelão para um senhor que poderia, pelo menos, manter uma classe aparente. Como diz Paulo Henrique Amorim em seu blog: “A inveja tem a vantagem de corroer o invejoso por dentro.”

Comente a vontade e fique sempre com sua opinião.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O que se vê e o que se lê.

Estou cansado de assistir esses telejornais chapa-branca. Todos seguem o mesmo modelo global de passar as notícias e têm uma linha editorial para lá de comprometida com alguns interesses. O pior é ouvirmos um discurso imparcial, de um jornalismo limpo, que só é feito para retratar o que de fato acontece, sem qualquer tipo de interesse. Está bem, vá contar essa ladainha em outro terreiro, aqui não. Mas o que de fato me deixa estupefato é pelo formato único de ser. Se prestarmos atenção, parece que todos os jornais, das mais diversas emissoras, são uma cópia do JN global, uns mais parecidos, outros menos. A velocidade da notícia é a mesma, a falta de reflexão também se assemelha, enfim, um faz-de-conta com estruturas (quase) idênticas.

E a velocidade das notícias?! Já perceberam como não conseguimos fixar uma notícia sequer depois que os telejornais terminam?! Elas são feitas numa velocidade tal, com pouca duração e seguidas por outras notícias, que mal dá tempo do telespectador refletir e tentar tirar sua própria conclusão sobre o que é noticiado. O tempo na Tv é tudo. Se uma questão está sendo retratada de maneira interessante, com entrevistados que de fato acrescentam informações ao que se noticia, gerando uma discussão com vários pontos de vista, mas, se por outro lado, o tempo está chegando ao fim, tenham certeza, não há boa informação (ou discussão) que resista, o repórter será obrigado, através do ponto eletrônico, a interromper aquele momento, para o jornal não sair do seu formato quadrado. Aprofundar demais não é interessante, afinal de contas, o jornal precisa ir para o seu breve intervalo, e colocar em evidência seus anunciantes...

E o olhar crítico do jornalista que apresenta o telejornal? Quantos já não foram os casos de jornalistas que foram demitidos por fugirem ao script e opinar sobre determinado assunto?! Quem não se lembra do caso do jornalista Jorge Kajuru que, ao criticar o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, antes de um jogo do Brasil contra Argentina, em Belo Horizonte, foi demitido ao vivo na Band, com o programa ainda no ar. O bem assessorado governador teria ligado para a emissora e pedido a cabeça do jornalista. Pedido feito, pedido atendido.

Kajuru, inclusive, é uma figura que tive a oportunidade de conhecer aqui na Granja Comary, em Teresópolis, em 2003. Tive o prazer de entrevistá-lo para a rádio da faculdade e ver de perto sua indignação com o fazer jornalismo no Brasil. Só como um lembrança rápida, o polêmico Kajuru, a certa altura da entrevista comparou: - O mundo do jornalismo é mais sujo que o das prostitutas, com todo respeito as prostiturtas - enfatizou. Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça e os anos que se passaram entre universidade e experiências profissionais me fizeram perceber as coisas com outros olhos.

Enfim, amigos leitores do ESCONDIDIN, hoje não tenho paciência de ver muitos formatos "perfeitos" da impressa brasileira. Procuro me manter informado através de rádio, internet e algumas revistas que ainda contam um outro lado da história, como "Caros Amigos" e "Carta Capital". Não consigo ler uma VEJA sem perceber que ISTO É comprometida com alguns interesses. Acho que não é ÉPOCA de convivermos com um jornalismo desse tipo, onde se levanta uma bandeira sem assumi-la. Estou cansado desses formatos, mas, obviamente, respeito os que pensam diferente.

Aproveitem esse espaço para deixarem suas opiniões, concordarem e discordarem com esse blogueiro que vos escreve.

Fiquem à vontade.

sábado, 12 de setembro de 2009

Pitbul no caminho.

Não sei se um pitbul é mais assustador com cara ao vento, e aqueles dentes prontos para o ataque, ou com uma focinheira bem tramada, daquelas típicas de filmes de terror, capaz de colocar medo em qualquer grande ser que se julga o mais macho.

Hoje eu descia calmamente pela rua de minha casa quando deparei com uma coisa - um cão, vamos lá - todo armado com sua terrível focinheira. Olha, a vontade era de falar para o dono: - Não tem como tirar esse troço da cara da criatura não? Mas não tive coragem e fiquei com medo dele se achar o dono do cachorro mais bravo do mundo, ou mandar-me para um lugar não muito aprazível.

Pois bem, continuei andando sem conseguir me desligar daquele animal. E o dono lá, de chinelo, sem camisa, como um simples mortal passeando com o totó de estimação de sua filinha. Deus me livre! Já pensou a criança brincando com o simpático bicho?! Também acho, é melhor nem pensar.

Então, como sempre, fiquei com aquela cena na mente e com o paradoxo que se formava... Como pode um animal usar um objeto para ficar menos violento, mais seguro para os outros cidadãos, mas, ao mesmo tempo, ter sua monstruosidade multiplicada por 20?! Não consigo entender, só pode ser coisa de um canto do mundo chamado Brasil (Será que nos outros países também é assim?). Mas não parei por aí: Para que uma empresa que fabrica focinheira (existe isso??) precisa caprichar no design assustador? Não faz sentido, ou estou passado demais para o mundo que se apresenta?

É a mesma coisa, concluo com toda minha ignorância, que uma empresa de capacetes fazer um design de um alvo com os seguintes dizeres: "Rubinho, asfalto, outros objetos e balas de plantão: mirem aqui!"



OBS.: Não deixe de votar na enquete.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza".

Esse velho ditado aí do título do texto que, pelo que parece, vem lá da época dos escravos, cai como uma luva numa situação que ocorre aqui em Teresópolis-Rj. A cidade está em meio a mais uma edição do Festival de Inverno, organizado pelo Sesc. São diversos eventos culturais interessantes, desde oficinas e shows musicais a peças de teatros de sucesso, como "Z.É. Zenas Improvisadas". O outro lado dessa ótima notícia para os moradores e turistas é a dificuldade em se conseguir um ingresso para acompanhar um dos eventos, já que as entradas são gratuitas e são distribuídas na porta do Sesc.

A crítica do blog não vai diretamente para o Sesc nem para os envolvidos nessa empreitada. Eles merecem, na verdade, aplausos por colocarem a disposição da população diversos espetáculos que suprem a carência cultural dos teresopolitanos. A crítica vai para o abandono que essa população sofre por parte dos seus representantes. Só para vocês terem uma idéia, fui duas vezes me informar sobre eventos que gostaria de participar, mas os ingressos já estavam esgotados, pois, como mesmo disse o segurança do Sesc, "tem gente dormindo na fila para garantir sua entrada". Olhem bem como fica exposta nossa carência cultural! A disputa pelos ingressos chegam a esse ponto: "Dez horas da noite já tem gente na fila para conseguir um ingresso que só começará a ser distribuído na manhã seguinte" - confidenciou-me o segurança. O que explica isso? - martela essa pergunta em minha cabeça desde semana passada.

Acho que agora os governantes (e, porque não, os empresários) não têm mais desculpas para a falta de opção cultural que se apresenta no restante do ano. Com um mínimo de vontade política e, até mesmo, visão comercial, saberiam explorar muito bem esse público em potencial, trazendo durante o ano, outros espetáculos para a cidade. Assim, ganhariam os moradores, os comerciantes, o turismo da cidade e, consequentemente, os políticos. Mas, pergunto: Será que há interesse em investir nessa área, ou é muito melhor manter uma população alienada, sendo agraciada apenas na época das eleições?

O que vocês acham?

Deixem seus comentários.


(Imagem retirada do site: http://brunaantunes.files.wordpress.com/2009/06/teatro.jpg)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Salada.

E o mundo continua em ebulição. São Sarneys (só um como exemplo de muitos políticos da mesma espécie)se aproveitando dos desmandos na política, Adriano faltando a mais um treino no Flamengo, Cruzeiro chegando a mais uma final de Libertadores - com todos os méritos, Corinthians passeando pelo gramado do Beira Rio e conquistando mais uma Copa do Brasil, aviões caindo mundo afora, gripe suina se espalhando pelo Brasil e pelo mundo, crise em Honduras, aumento na venda de automóveis do Brasil, Dunga conquistando mais um título, e o mundo gira e gira... UFA.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sonho?

Sabe quando você acorda assustado depois de um sonho terrível? Pois bem, foi assim que acordei hoje. Estava preenchendo uma ficha de emprego quando percebi que meu sobrenome havia mudado. Tomei um susto com essa novidade inexplicável, presente só mesmo num sonho. Meu nome não estava lá como antes, agora havia um acréscimo terrível: Depois do até então último nome, Gomes, foi acrescentado por minhas mãos involuntárias, um conhecido sobrenome: Sarney.

Fiquei impressionado. Veio-me na mente os atos secretos da vida, a atuação nebulosa no Senado Federal, os podres históricos de um homem historicamente (e, por que não, eternamente) lembrado por ser o presidente da democracia, o sucessor da ditadura militar. Nesse momento dei pulos involuntários no pequeno colchão que cobre minha cama. Ainda desacordado, me senti culpado por essa nova personalidade assumida, um legado para lá de complicado.

Tentei acordar, mas não foi possível. Nessas horas o sono é um castigo duro, digno de lamento. Corri pelo meu quarto de olhos fechados, buscava nas batidas que dava no armário, na cama, e na mesa um despertar dolorido; mas nada.

Busquei um pecado enorme que poderia ter feito para merecer tamanho castigo, só que não encontrei um sequer dessa magnitude. Jurei para mim mesmo que, caso o feitiço passasse, falaria aos meus pais no outro dia o quanto amo o nome que escolheram. Pensei em cada letra que forma o novo último nome; rezei.

Por um minuto viajei pelo Maranhão, sentindo o apontar dos dedos do povo simples em minha direção. Não queria fazer parte daquela culpa, mas era inevitável. A pobreza e o desmando daqueles lugares eram obra de pessoas que - agora - faziam parte de meu convívio.

Por alguns segundos, e mesmo por esses míseros momentos, mergulhei nos desmandos e no esconderijo de uma instituição Federal, tratada como o quintal de casa de minha família. Eram inúmeras acusações, enormes descasos, vergonhosas atitudes - tudo agora em minha direção.

Desviei dessas pedras institucionalizadas da grande mídia, quase me apoderei do discurso de meu novo brasão familiar. Se continuasse por mais alguns minutos, possivelmente me transformaria, de fato, no que temia.

Um forte clarão iluminou meu quarto - e minha alma. Acordei assustado e tentando entender o porquê daquilo tudo. Busquei rapidamente minha carteira na ânsia de conferir em meu documento de identidade meu verdadeiro ser. Estava lá, o meu nome terminava (só) em Gomes novamente.

Ufa! Atirei-me na cama. Respirei aliviado e quase peguei no sono. Nesse momento o sonho (pesadelo) voltou claro em minha mente. Tentei tirar um lado bom (sic) desse mistério: - Se eu tivesse esse sobrenome, não teria mais que procurar emprego. Bastaria enviar meus dados ao Senado e garantir uns míseros doze mil reais por mês. Nada mal. Êhh, Brasil! - ri envergonhado e dormi mais meia-hora.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Atchim!

"PAF, PAF, PAF", deixa eu bater um pouco mais por aqui para tirar a poeira desse blog. Pois é, já tem uns dias que não escrevo nesse espaço, não é mesmo? Nenhum motivo especial, somente outras atividades, como os estudos para os concursos que se aproximam. Mas hoje resolvi voltar, como aquele filho que fica bom tempo longe da casa dos pais e prepara uma visita surpresa. Pois bem, estou aqui, preenchendo essa tela em branco com letras saudosas.

Pensei em inúmeros assuntos para conversarmos no blog, mas confesso que está difícil. Vejamos: Ontem acabei de ler o livro "O Caçador de Pipas", tão famoso e badalado que tive até (confesso novamente) preconceito antes de abrir a primeira página, mas, como um balde de água fria que assusta e acaba com todo ressentimento, me deparei com uma bela história. Recomendo o livro para aqueles que, assim como eu, dão de ombros para grandes sucessos de vendas. Afinal de contas, somos surpreendidos a todo momento, principalmente quando achamos que sabemos muitas coisas. Mas passemos adiante...

Ontem nosso anão (e estagiário) técnico da seleção fez mais uma convocação para os dois jogos das Eliminatórias e para a Copa das Confederações. Confesso (meu Deus, como confesso) que até que gostei dos jogadores escolhidos, lógico que tirando as velhas teimosias "dunguisticas", como Gilberto Silva, Josué e Kléber. Mas gostei. Ponto para o anão Dunga/Zangado/Soneca/Chato e etc....

Além disso (e mudando completamente de assunto), vocês perceberam que não se fala mais em gripe suína (ou sou eu que estou por fora dos noticiários?)?! Ou pelo menos o assunto perdeu forças na grande mídia . Estranho, né? Até outro dia estávamos apavorados com o aumento dos casos no mundo, em especial no Brasil, mas agora acabou. Morreu o assunto, está tudo bem, dominamos a gripe do porco; só estamos esperando o próximo acontecimento que inundará as telas e os jornais brasileiros...

E, para acabar, ontem foi noticiado um assalto num ônibus da cidade do Rio. Fiquei impressionado com esse fato-novo. A curiosidade é que os passageiros perceberam que a arma do (infeliz) indivíduo era de brinquedo e, sabem o que aconteceu? Sobrou tapa pra todos os lados. O bandido foi imobilizado, tomou uns bons tabefes e foi preso pela polícia. Aí. aí, seria até engraçado, se não fosse trágico.

É isso, espero o comentário de vocês.

Ah, SAÚDE, caso espirrem pela poeira que sobe desse blog.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Duelo Universal.

Os tentáculos do poder (dinheiro) não têm limites. Profundo isso? Pode até ser, mas vem acompanhado de uma notícia que acabo de ler na internet, mais especificamente no portal da BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/). Os moradores de Londres estão protestando contra os planos da Igreja Universal do Reino de Deus de transformar um cinema histórico daquela cidade em um templo religioso. Isso mesmo, globalizaram a mutação de cinemas em igrejas. Esse fato já tão corriqueiro em terras brasileiras ganha ares universais ao atravessar o Atlântico e fazer por lá o que tanto se faz por aqui. A diferença é que nesses países mais sérios a população protesta quando percebe que uma construção histórica está sendo descaracterizada. Vejam que o referido cinema foi inaugurado em 1887 e já foi palco, inclusive, de shows de bandas do quilate de Beatles, Rolling Stones e The Who. Além disso, era lá que Alfred Hitchcock, ainda menino, freqüentava as salas de cinema. Pouca história esse prédio londrino? Pois bem, desde 2003 o bispo Edir Macedo adquiriu o cinema e luta para conseguir com as autoridades locais a autorização para a abertura de seu templo.

Temos de um lado do ringue a força e poder da igreja Universal, e do outro, a ONG inglesa “McGuffin Film Society", que luta para que a administração regional ofereça à Universal um prédio desocupado ao lado do cinema.

Façam suas apostas e deixem seus comentários.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Órgãos na prateleira.

Pequena reflexão desse blogueiro: Li na Folha online que na Espanha, abalada por um crescente desemprego na casa dos 15% da população ativa, a moda do momento é vender os órgãos para ganhar uma grana e vencer a crise. Isso mesmo, a população daquele país procura sites especializados (sic!) nesse comércio inusitado. São colocados a disposição dos compradores rins, pulmões e medula óssea. O desespero é tanto que é como se o cidadão deixasse um pedaço do seu corpo numa prateleira para ser comprada por algum interessado.

As autoridades espanholas já estão fechando o cerco contra esse tipo de site. Vamos ver até onde isso vai. Agora, caros amigos, já pensou se a moda pega no Brasil? Se a cada crise o povo brasileiro resolver leiloar um órgão? Teríamos um grande comércio, rodeado de pessoas (literalmente) vazias, fazendo ecos em seus corpos nus. Faríamos parte de uma nata da venda de órgãos. Qual cenário vocês imaginam para o Brasil nesse mundo dos "órgãos a venda"?

Deixem seus comentários.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Corrida física e mental.

Passei o cadarço no canto do dedo e parei minhas ações. Lembrei que continuar aquela caminhada era ir de encontro com interrogações que inflamam minha mente. Voltei para a ação de amarrar o tênis. Borbulhei interrogações que saiam aos montes. Caminhei para a porta e parti em direção ao nada. Conferi a música que começaria naquele momento e guardei o objeto tocar de mp3 no bolso. Mais uma vez caía uma leve chuva na cidade.

Andei alguns segundos para aquecer o corpo (e a alma) e comecei a correr. Os passos eram ditados pelo ritmo da batida que entrava pelos ouvidos. Eu parecia estar cego para o que se passava ao meu redor. Era o único ser que reinava naquele momento.

Com o passar dos segundos e dos minutos, meu corpo produzia um suor que ia de encontro com a garoa. Era uma mistura do quente com o frio; da impureza produzida pelo meu corpo, com a perfeição enviada pela natureza.

Minhas pernas cansavam de forma gradual. Iniciei uma diminuída de ritmo até parar completamente. Dali para uma leve caminhada, e da caminha para casa. Nesse caminho, passei por espelhos que refletiam aquele homem entregue as suas fraquezas físicas. Estava cansado e me sentia velho. Era uma sensação indescritível, mas real.

Cheguei em casa e devorei alguns copos de água. Impressionante o poder desse líquido mágico. Minhas coxas doíam, como se eu tivesse jogado uma partida de futebol por horas. Joguei-me no sofá adiando um pouco mais o merecido - e necessário - banho. Tentei entender essa loucura de sair de casa estando bem e voltar assim: um trapo. - Nós seres humano temos cada uma... - confidenciei para mim mesmo.

Enquanto me divertia com esse diálogo interior, caminhando para o chuveiro, pude perceber o quanto esse contestado exercício físico tinha aumentado minha auto-estima e minha disposição. É um verdadeiro paradoxo, mas esses poucos minutos mudaram completamente minha postura e meu ânimo. Sentia-me mais forte e pronto para continuar com o dia que se iniciava. Tomei o banho mais depressa para não perder esse ânimo surreal proporcionado pela atividade física. Lembrei o quanto isso faz bem e o quanto adio corridas que me levantariam aos céus.

Fiz mais uma promessa de continuar correndo com regularidade, pelo menos três vezes por semana. Mas, antes que me convencesse, já estava duvidando de mim mesmo. Aquele dia rendeu de mais, pena que três semanas se passaram e, hoje, aquela corrida abençoada virou uma lembrança e um incentivo para recomeçar amanhã.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um dia desses em Teresópolis...

O som que vem lá do alto é de uma igeja evangélica. São palavras difíceis de ser entendidas, mas que devem ter seu momento e seu significado para os que estão presentes naquele templo. Meu caminho continua forte, em direção ao ponto de ônibus. Passo por dois meninos que travam um duelo de bola de gude. Mais a frente, um cão sem raça caça alguma sobra de comida. Viro na ponte à esquerda, e sinto um movimento estranho por ali. Alguns jovens estão num quintal ao lado se divertindo com alguma situação. Não sei muito bem do que se trata, mas o cheiro é muito forte de algo queimando... Não mudo minha rota, não olho para trás; só caminho.

Entro no ônibus e corro para não me atrasar. Mais um dia chuvoso em Teresópolis - nenhuma novidade. Há poucos quilômetros dali a Seleção brasileira está concentrada para os jogos das Eliminatórias da Copa. - E como estão distantes da realidade dessa cidade! - penso enquanto me ajeito na poltorna do ônibus.

Travo uma batalha - um diálogo comigo mesmo - sobre essa disparidade. De um lado, astros mundiais, milionários, juntos numa concentração para jogar futebol (um divertimento). Do outro, nós, comuns seres sonhadores, correndo de um lado a outro, buscando um mínimo de conforto e de reconhecimento pelo suor entregue na rotina.

Alimentamos esse sonho do futebol/sonho/diversão como válvula de escape. Isso mesmo, nosso esporte mais famoso funciona como uma fuga dos problemas cotidianos. É o momento no qual o torcedor se entrega a paixão clubística ou à Seleção e esquece, durante aqueles 90 minutos, das dívidas, das brigas diárias e dos problemas em geral.

Mas é impressionante percebermos aonde esse envolvimento foi parar. As gerações se passaram, os clubes "se profissionalizaram", viraram verdadeiras concentrações de astros, com altos salários e todo o tipo de regalia, enquanto o torcedor continuou na mesma situação, juntando o suado dinheiro para ir ao campo, desviando de brigas na porta dos estádios, sendo desrespeitado pelas mudanças dos horários dos jogos a todo momento, vendo seus craques indo embora para a Europa cada dia mais cedo, entre outros problemas.

Realmente, caros amigos, esses caminhos foram construídos de maneira desproporcinal. O lado do futebol está enriquecendo, se profissionalizando; enquanto do lado de cá do mundo, continuamos sendo desrespeitados e agindo como verdadeiros vândalos (assunto que gera um dia de discussão). Andamos para trás! Já o esporte bretão caminha a passos largos para a glória da fortuna (e só). E aqui mora outro problema. O que se desenha é uma busca incessante pelo dinheiro, pelo lucro. Um bom exemplo são os amistosos do Brasil no estádio do Arsenal, na Inglaterra. Verdadeiros caça níqueis da Sra. CBF.

É hora de descer do ônibus e voltar para minha vida. Deixo as altas cifras de lado e já separo a (pouca) grana para pagar as (muitas) contas. Deixa o glamour para depois, é hora de pisar firme no chão da realidade.

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

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