Hoje estou chamando os amigos que se escondem por aqui para conhecerem um blog que eu e meus amigos criamos, chama-se Tititi da Titi. Titi é uma grande amiga e, com ela, já passamos por situações divertidíssimas. Contaremos alguns desses causos no blog: http://tititidatiti.blogspot.com/
Espero que gostem das histórias.
Volto em breve!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Novidades aos Noventa Anos (Isnard Horta).
Tio Isnard é um verdadeiro contador de caso, tem o dom de reunir o povo da família para ouvir suas histórias. É aquele tipo de pessoa que gosta de observar e colocar no papel as impressões. Nisso somos parecidos demais. Ele me mandou um e-mail fantástico, retratando um bate-papo na casa dos meus avós e como as novidades tecnológicas são recebidas por esses dois senhores de mais de noventa anos. Aproveitem essa prosa Isnarniana, é divertidíssima. Não deixem de comentar!
Primeiro Ato
Olhos firmes na tela onde girava o globo em aproximação constante. Costa da América do Sul. A imagem aproxima–se mais, seu rosto também: Que beleza! O mar?
Primeira parada – Milho Verde: Lindo!
Adiante, São Gonçalo, descendo até o Vau: Jequitinhonha nascendo. Enfim, Diamantina!
Então, vamos passear na rua? Vamos.
Gente, estamos andando na rua! Olha, que bonita a Rua do Carmo, casa de Elza...
Formidável, admitiu finalmente o chefe. É internet? Ela tirou a vista pela primeira vez da tela e, olhando-o devagar, deixou escapar um sorriso silencioso...
Então, vamos rodar o mundo? Vamos sim, meu filho. Quero ver mais.
Meu Deus, Praça de São Pedro? Vaticano? Podemos descer e andar também? Olha, as pessoas querem ver o Papa...
E agora... calma... Ah, Coliseu? Roma antiga!
Já fui lá. Eu, seu Redelvim, Célio... Eu sei, eu sei que você já foi. Agora me deixa ir. Mostra mais uma foto, meu filho, essa daqui. Que linda: arcos do Coliseu iluminados. Que beleza...
Fotografia... o que é a fotografia... Que espetáculo! concluiu a filha entusiasmada.
É... gostei muito. E afastando o rosto da tela, rematou decidida: Na próxima vez, quero ir à Grécia!
Segundo Ato
Blog? Não sei o que é. Internet também? Como é?
Escondidim, que gracinha... Meu Deus, é Carlinhos!
Papai, papai, volta, vem ver!
Que é isso? Uai, Tio Assis? É para Assizinho? interessante...
Ai, que saudade; saudade mesmo, minha filha...
Que bonito! lembrança de meu filho...
Todo mundo pode ver e ler?
Pode, qualquer um de qualquer lugar. Aqui: marcador indicando o lugar do mundo de onde alguém já viu.
Gente, que interessante... Como se chama mesmo? Blog.
Ah, é blog de Carlinhos. Olha só, escreve muita coisa. Olha, pode-se comentar e escrever?
Que bom...
Ato final
Formidável! Agora, vou lá em baixo, tenho muito serviço para fazer, muito negativo para mexer.
Muito bem! Gostei muito, agora vou descansar. Depois, vamos passear mais. Na Grécia, viu; na Grécia.
Quer lanchar agora, mamãe? E você, Whisky?
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Saudade do tio Assis.
Senti sua presença nessa folha em branco, tio. Talvez pela proximidade da hora do jogo do seu fluminense, mas hoje lembrei demais: Lembrei do seu excesso de confiança com seu time - sempre sendo desacreditado por mim. Lembrei de nossas conversas na casa de vó sobre futebol, sobre o seu azul cruzeiro, sobre o meu gigante rubro-negro. Lembrei de nosso papo sobre emprego, você me indicando, mostrando um novo mercado para atuar: aulas de filosofia para o segundo grau: - Faz esse curso, Carlinhos, vai sobrar vaga para esses profissionais - você afirmava apostando em uma área que eu gosto.
Engraçado, tio. Não tomei esse rumo vindo de sua bela intenção, mas hoje percebo que de certa forma meu futuro profissional está na sala de aula - em outra cadeira, na geografia. Se pudéssemos conversaríamos sobre esse meu novo rumo, numa sexta-feira lá na casa de vó. Fico imaginando nosso bate-papo, suas brincadeiras com o fato de eu estar seguindo seus passos e os da minha mãe... Seria um almoço divertido, observado por avô Assis curioso no assunto e por uma sabedoria única de vó Côca. Estenderíamos o papo sobremesa afora, caminharíamos para a sala de televisão para colocar em dia os últimos assuntos. Depois você partiria para sua casa... Esse seria mais um encontro comum, sem um grande evento para torná-lo diferenciado. Mas dessa simples sexta-feira que senti falta hoje. Não poder encontrá-lo hoje é estranho, vazio... Então a gente fica com as lembranças, muito vivas ainda, palpitando...
Sabe, queria encontrá-lo hoje, ou em qualquer dia sem data marcada - casual como em BH - mas não podemos mais. Impotência e saudade, palavras para tentar descrever esse encontro impossível.
Fico só com a inspiração (o que já é muito bom) e com os bons momentos. Esse texto é seu, ou melhor, é uma breve conversa nossa, daquelas sextas na casa de vo.
Um até logo, tio. E continue nos acompanhando daí de cima. Outra hora voltamos com mais uma sexta-feira, combinado?
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Uma noite a observar....
Já respirou ares de montanha, de praia, tremeu de frio, ensopou no verão, mas ainda guarda energia para um tempo que está por vir.
A música preferida já tocou, o melhor filme já foi visto só que não cansa de sonhar com a melodia pessoal, o acorde no tom perfeito.
Enquanto houver essas conquistas a serem buscadas, enquanto traçar na mente um caminho novo a ser percorrido, esse senhor a minha frente não se dará por vencido. Ele se encontra aqui, imaginariamente a minha frente, sentado a duas fileiras de poltronas, enquanto a barca rasga a Baía de Guanabara.
O vento que lhe escorre pela face é denso, quase perceptível perto dessa invisível brisa que me vem espantar o calor. A natureza é sábia, sabe como tratar os mais velhos...
A barca chega a seu destino, ele demora a levantar-se, parece querer aproveitar cada minuto, cada fração de segundo que a vida lhe proporciona. Invejo aquela calmaria, tento interiorizá-la, mas ela não é minha, ainda não faz parte do meu repertório...
Passo pelo senhor e desço as escadas apressado. Antes, porém, olho pra trás e sou recebido com um sorriso. Ele parece ler meus pensamentos. Rio constrangido e sigo meu caminho.
Me perco na loucura da multidão da cidade grande; me acho na calmaria do papel, da caneta, do mar - e eu.
(Imagem retirada do site: http://jornalsanitario.files.wordpress.com/2008/08/velhinho.jpg?w=252&h=211)
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