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quinta-feira, 17 de junho de 2010

África do Sul: A cara do Brasil!

Derrotas a parte, nada mais bonito até agora nessa Copa do Mundo do que o choro do lateral Evra, da França. Ele não segurou a emoção e chorou durante a execução do hino francês, La Marselhesa. Fiquei emocionado junto com Evra, senti-me na pele do jogador e imaginei como deve ser a sensação de estar numa Copa do Mundo representando seu país. Acho que eu cairia em lágrimas. O jogo foi um detalhe, um detalhe frustrante para os franceses, na verdade, já que perderam de 2x0 para o México. 

Curioso demais como o mundo todo fica orbitando nesse evento tão fascinante. Até os menos fanáticos pelo futebol não perdem oportunidade para acompanhar seus países nas batalhas dos gramados. Particularmente, estou adorando ver uma Copa do Mundo num país africano. Melhor seria, obviamente, se eu pudesse estar presente nos estádios, presenciando a cultura, aprendendo um pouco mais com a alegria daquele povo tão sofrido. Curiosa a semelhança dos Sul-africanos com nós, brasileiros. Eles formam o país mais desenvolvido do continente africano, passam por sérios problemas de desigualdade social, mas esbanjam alegria e encantam com a receptividade com que tratam os turistas. Parece ou não com um país continental daqui da América do Sul? Seria uma prévia do que teremos por essas terras daqui a quatro anos? Veremos...

Mas será que nós, brasileiros, admitimos toda nossa semelhança com esse simpático país? Ou preferimos manter uma distância (da época do descobrimentos do país) europeia ao detectar nosso parentesco? Curiosas essa perguntas? Acharam mesmo? Pois é, essa é a minha visão sobre o discurso de grande parte da grande mídia sobre os jogos na África do Sul. Todos destacam a alegria, a vuvuzela, as seleções, mas ainda vi muito pouco sobre essa realidade tão familiar para nossos amigos da imprensa brasileira na terra de Mandela. Será que estou com uma visão distorcida? Será que estou exagerando na dose e inventando história para colocar no blog? Pode até ser, mas desde os primeiros dias da Copa que tenho sentido um certo distanciamento dos jornalistas brasileiros, como se eles estivessem num país muito pobre, muito desigual, bem diferente do "Primeiro Mundo" em que vivem. Será que todos esses problemas e desigualdades são tão distantes para eles, mesmo quando estão no Brasil? 

Quantas perguntas esperando por respostas, mas tudo isso por que minha mente está curiosa para desvendar essa impressão. Falta a nós, brasileiros, olhar um pouco pra dentro para percebermos o abismo que existe dentro do nosso próprio quintal? E o que faremos para mudar? Questões complexas, verdadeiros vespeiros, mas....Ah, tudo bem, essas complicadas questões são problemas dos políticos. Afinal, fazemos nossa parte, pagamos os impostos; e claro, é tudo culpa do Lula!

Voltemos, então, nossos olhos para a telinha: vai começar mais uma partida da África do Sul. Coitadinhos, estão jogando tão mal, serão eliminados na primeira fase? Uh, sei não, mas tem país graúdo que também não jogou nada até agora....

(Imagem retirada do site: http://farm4.static.flickr.com/3504/3730662967_15f673f1bd.jpg)

domingo, 9 de maio de 2010

Mais do mesmo: CB (Campeonato Brasileiro) 2010. (Emílio Lanna)

Hoje que dá o recado é o meu grande amigo Emílio Lanna.
 
E começou mais um ano de futebol brasileiro. O futebol maroto, o futebol moleque, o futebol que dá gosto de ver. Dá gosto? Eu particularmente continuo achando o Campeonato Brasileiro um campeonato bastante interessante. Não aqueles enlatados ingleses onde o gol só acontece de cabeça ou após um pique de um ótimo e muitíssimo bem pago atleta. No Brasil ainda residem os jogadores de futebol, e não os atletas de futebol. Mas não é sobre isso que eu quero falar.

Quero falar sobre essa estrutura que vem sendo o CB há alguns anos. Campeonato de pontos corridos. Eu particularmente gosto e acho justo um campeonato organizado dessa forma. Esse tipo de campeonato premia o time mais constante e não o que cresce no momento da decisão. E nesse tipo de campeonato, cada ponto é um ponto importante. Cada empate que o time consegue fora de casa vai fazer diferença lá pra dezembro, quando estarão separando os times que vão pra Libertadores, Sulamericana, os que não fedem nem cheiram e os que vão amargurar a segunda divisão em 2011. E se preparem pra ouvir as reclamações de que o roubo do juíz influenciou no resultado e meu time não vai mais disputar a libertadores. Aquele time ta comprando os resultados. O meu time esteve focado em outra competição.


E é exatamente onde eu queria chegar. Primeira rodada começou hoje. Pelo que eu sei, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Santos, Grêmio e provavelmente mais alguns times estão jogando com times "mixtos" e será assim até eles terminarem as outras competições. Ai depois a torcida e os jogadores ficam se perguntando, cadê aquele ponto que tá faltando pra gente chegar ao título? Foi perdido agora no começo!!! Taí a resposta! Campeonato de pontos corridos começa no primeiro jogo. Os times e os torcedores brasileiros tem que se acostumar com isso. 3 pontos nesse fim de semana são mais do que o suficiente para colocar  um time na libertadores ou dar o título pra eles.


Abraços a todos!

Voltamos a nos falar em Dezembro, quando eu provavelmente vou dizer: "Eu falei... eu falei..." hahahah

(Emílio Lanna).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Libertadores e o pitaco dos leitores.

No universo dos quinze leitores que se escondem por aqui, vocês podem perceber como ficou a votação sobre qual time brasileiro terá mais sucesso na Libertadores?! Flamengo, Cruzeiro e São Paulo levaram vantagem, com 4 votos cada; contra 2 votos para o Corinthians e 1 para o Internacional.

Como todos sabem, só o Corinthians já não luta mais pelo título sulamericano, após a eliminação diante do Flamengo - o Internacional acabou de se classificar. Agora é ver como será a sequência da competição...

Gostei muito, porque a enquete ficou por sete dias no blog e recebeu uma média de, aproximadamente, 2 votos por dia - o que é um luxo para esse modesto blog.

Daqui a pouco trago novas enquetes e também aceito sugestões dos amigos.

Ah, e claro, quando menos se esperar, um novo texto virá se acomodar por essas bandas.

Até mais e comentem à vontade.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Saudade do que não vi.

Peguei aquela foto antiga do Pelé. Não sei ao certo o jogo e muito menos o ano da foto, mas o rei estava vestido com a camisa da Seleção e preparava-se para mais um voleio.

Parei no tempo junto com a foto, tentei entender o que se passava no mundo naquele momento, as situações sociais, políticas, as angústias da população que via desfilar um rei pelo gramado e, mesmo que só por aqueles minutos, se esqueciam de seus problemas e aflições.

Olhei aquele repórter atrás do gol, com cara de espanto, como mais um sujeito impressionado com as artimanhas de Pelé. Como deve ter sido bom ver esse sujeito jogar - pensei, com inveja.

Percebi que próximo a outros jornalistas havia uma criança, isso mesmo, um menino de uns 12 anos, com as duas mãos no rosto, como quem vai pela primeira vez num parque de diversões e se encanta com os brinquedos, seus tamanhos e suas cores. Mas, esses objetos de diversão estão sintetizados num homem (homem ou extraterrestre?). A criança está batizada, aquele rosto amparado pelas mãos é o resultado do encanto, de quem presenciou um conto de fadas sendo narrado na sua frente, ao vivo.

Imaginei esse menino, lá pelos anos 1960, chegando em casa e contando sobre o jogo para os parentes e amigos. Imaginei o exagero real, as invenções de qualquer criança sendo contadas com um aumento justificado por mais uma exibição de gala de Pelé. Desejei ser aquele menino, trocaria muitos objetos pessoais com ele para estar naquele jogo, faríamos um acordo que ultrapassa o tempo real, escreveria uma história encantadoramente vivida por mim. Mas, infelizmente, não tenho esse poder. Só me resta criar a sequência daquela jogada e daquele jogo.

...Foi um belo jogo, uma goleada brasileira pra cima do adversário, com dois gols de Pelé - sendo um de voleio. E eu estava lá, atrás do gol, presenciando cada movimento do maior jogador de todos os tempos. Agora posso contar, estive lá. Sou testemunha dos lances, dos gols, dos dribles...

Pronto, estou realizado, espalharei para os amigos que se escondem nesse blog mais essa aventura vivida no mundo concreto da minha mente. Que jogo, que noite, que atuação do Pelé! Se vocês vissem o tanto que nossa Seleção jogou.... Aí que saudade do que não vivi!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Abrindo alas para o craque.

Amigos, não costumo fazer isso, mas o texto do Tostão (ex-craque dos gramados e craque com as palavras) do último dia 09/12/09 merece ser partilhado com todos os leitores que se escondem por aqui. Acho perfeita a análise dele sobre o atual momento do futebol brasileiro e mundial, colocando sua visão sobre a importância do técnico para um time.
Aproveitem mais uma obra desse craque:

"Tostão
O antiprofessor

09 Dez 2009 - 00h24min

Andrade não é apenas o treinador que entende a linguagem dos jogadores, como diz o chavão.
Essa expressão é preconceituosa, como se o ex-atleta, sem diploma e sem um discurso professoral, não tivesse capacidade intelectual de comandar um grupo. Ainda mais se for negro.

Um grande título e um ótimo trabalho não são suficientes para se tornar, definitivamente, um grande treinador. Isso vale também para os jogadores e qualquer profissional. Só com o tempo, teremos certeza. Andrade ainda não é, mas tem tudo para ser um excelente técnico.

Andrade não tem nada a ver com os treinadores-professores. Andrade é o antiprofessor. Trabalha sem se notar.Andrade acabou com outro chavão, o de que Leonardo Moura e Juan teriam que jogar ao lado de três zagueiros.

Assim como o Flamengo, quase todas as seleções que irão ao Mundial atuam com dois zagueiros e dois laterais. As exceções são Chile, Uruguai e Grécia, como mostrou Paulo Vinícius Coelho, no caderno especial da Folha, após o sorteio dos grupos. Se Dunga quiser informações sobre a misteriosa Coreia do Norte, deveria ligar para o PVC..

Andrade não fez apenas mudanças táticas. Ensinou a Toró, Willians e Aírton como se joga futebol. Os três passavam todas as partidas correndo atrás dos adversários, muitas vezes com faltas e pontapés. E ainda recebiam elogios.

Excelente marcador é o que se posiciona bem, joga em pé, não dá carrinho, antevê o lance, antecipa ao adversário e ainda inicia o contra-ataque com um bom passe. É o que fazia Andrade.

Dou importância, mas nem tanto, como deram, às contratações de Álvaro e Maldonado. Depois que o time mudou a maneira de marcar, a ausência de um ou dos dois, em vários jogos, como no último, não prejudicou a marcação.

Além de atuar no mesmo esquema tático, o Flamengo, como a Seleção Brasileira, prefere marcar mais atrás e atrair o adversário para contra-atacar com poucos passes em direção ao gol. Quase todos os times do mundo jogam assim. É o futebol globalizado, eficiente, que veremos na Copa.

Prefiro outro estilo, de marcação mais adiantada, por pressão e com muita troca de passes, como joga o Barcelona. Todos marcam muito e todos jogam muito. O futebol fica mais bonito, sem perder a eficiência. Dos times brasileiros, o Cruzeiro é o que mais tenta jogar dessa forma.

Detesto ver jogadores que, para se livrar da bola, cruzam para a área. E, às vezes, dá certo. Com exceção de algumas poucas partidas entre as melhores equipes da Europa, o futebol que se joga lá é o mesmo que se joga aqui.

O futebol evoluiu na preparação física, na velocidade, nas jogadas ensaiadas, nos lances aéreos e em várias outras situações. Nada disso impede que se jogue também com muita troca de passes, criatividade e fantasia. É isso que dá encanto ao futebol.

O bolo, sem a cereja, fica feio, seco e amargo.

Não sou um sessentão saudosista, de achar que tudo no passado era melhor, nem um admirador do futebol moderno e do que se joga hoje na Europa. O futebol que gosto não é o do passado nem o do presente. Gosto de bom futebol."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

1994, 2002 e agora?

Nossa imprensa tem umas particularidades interessantes, principalmente a grande mídia brasileira. Até outro dia, por exemplo, o técnico Dunga era contestado nos programas esportivos, sua falta de experiência era tida como fator principal para o - até então - fracasso da seleção. Todos queriam a cabeça do pobre homem numa bandeja e já cogitavam outros nomes para a vaga.

Só que os meses foram se passando, os jogos se sucedendo e, junto com eles, o Brasil começou a ganhar mais partidas, inclusive contra grandes escretes mundiais, como Itália e Argentina. Pronto, agora o homem virou o gênio entre os técnicos, o verdadeiro conhecedor do futebol brasileiro, entre outros elogios...

Chega a ser engraçada essa mudança de postura dos jornalistas - não só esportivos, mas de todas as áreas. Como são maleáveis e prontos para uma mudança de rumo - e sem rumo. Hoje, no entanto, me prenderei a um fato curioso do técnico Dunga. Vamos a ele:

Sou muito crítico sobre o comando técnico da Seleção, além de quem está no comando da CBF (assunto para um dia de discussão e de inúmeros motivos). Penso que o anão Zangado (forma diferente de chamar nosso técnico) está sendo treinado por uma das maiores instituições do esporte mundial. Fora isso, não percebo a mão do simpático (sic) treinador na montagem do time dentro do campo. E aí mora a questão de hoje.

- Pode parecer absurdo, diria o amigo leitor, mas é isso mesmo. Não consigo ver nas quatro linhas um desenho tático determinado pelo treinador. Só para ilustrar, usarei dois exemplos: Muitos podem não gostar daquela Seleção Brasileira de 1994, montada pelo contestado técnico Parreira, mas, indiscutivelmente, aquele time tinha um jeito de jogar. Era nítido o esquema do Parreira, com muito toque de bola, bem armado taticamente e aproveitando o talento da dupla de ataque, Bebeto e, principalmente, Romário.

Além dessa equipe, em 2002 o Brasil foi pentacampeão tendo Felipão no comando. Mais uma vez, nossa seleção foi contestada, até pelo fato do treinador ter apostado no Ronaldo, que voltava de uma séria contusão e ter deixado no Brasil o baixinho Romário. Felipão conseguiu ganhar a confiança dos jogadores, montou uma equipe muito competitiva, com um bom sistema defensivo e com muita força, além dos talentos individuais de Ronaldinho e, principalmente, da dupla Rival e Ronaldo (artilheiro da Copa). A família Scolari estava formada e pronta para conquistar mais um título mundial.

E quanto ao cenário atual, o que podemos esperar dessa Seleção dunguista? Claro que Dunga tem suas qualidades, como por exemplo a disposição do grupo de jogadores em jogar com alma e total entrega pela seleção Brasileira. Estaríamos mais uma vez vendo nascer uma seleção controversa, mas com força para chegar ao título mundial? Sinceramente, não acredito. Não vejo um esquema definido pelo Dunga, não há jogadas ensaiadas dentro de campo, nem variações táticas. Penso que ele conta muito com os contra-ataques nos jogos contra as grandes seleções e com talento individual do jogador brasileiro. Mas, se o cenário é realmente esse, para que precisamos de técnico então? Basta apostarmos na alma e no habilidoso futebol canarinho.

Esse é o ponto. Ajudem a esclarecer esse blogueiro que não consegue enxergar um rumo vitorioso para a seleção dunguista. O que vocês imaginam? Estou sendo implicante com o treinador brasileiro? Me apontem um outro caminho que não consigo ver.

Um abraço e deixem seus comentários.

(Imagem retirada do site: http://elisalemos.com/images/papelaria/ilustracao/zangado.gif)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um dia desses em Teresópolis...

O som que vem lá do alto é de uma igeja evangélica. São palavras difíceis de ser entendidas, mas que devem ter seu momento e seu significado para os que estão presentes naquele templo. Meu caminho continua forte, em direção ao ponto de ônibus. Passo por dois meninos que travam um duelo de bola de gude. Mais a frente, um cão sem raça caça alguma sobra de comida. Viro na ponte à esquerda, e sinto um movimento estranho por ali. Alguns jovens estão num quintal ao lado se divertindo com alguma situação. Não sei muito bem do que se trata, mas o cheiro é muito forte de algo queimando... Não mudo minha rota, não olho para trás; só caminho.

Entro no ônibus e corro para não me atrasar. Mais um dia chuvoso em Teresópolis - nenhuma novidade. Há poucos quilômetros dali a Seleção brasileira está concentrada para os jogos das Eliminatórias da Copa. - E como estão distantes da realidade dessa cidade! - penso enquanto me ajeito na poltorna do ônibus.

Travo uma batalha - um diálogo comigo mesmo - sobre essa disparidade. De um lado, astros mundiais, milionários, juntos numa concentração para jogar futebol (um divertimento). Do outro, nós, comuns seres sonhadores, correndo de um lado a outro, buscando um mínimo de conforto e de reconhecimento pelo suor entregue na rotina.

Alimentamos esse sonho do futebol/sonho/diversão como válvula de escape. Isso mesmo, nosso esporte mais famoso funciona como uma fuga dos problemas cotidianos. É o momento no qual o torcedor se entrega a paixão clubística ou à Seleção e esquece, durante aqueles 90 minutos, das dívidas, das brigas diárias e dos problemas em geral.

Mas é impressionante percebermos aonde esse envolvimento foi parar. As gerações se passaram, os clubes "se profissionalizaram", viraram verdadeiras concentrações de astros, com altos salários e todo o tipo de regalia, enquanto o torcedor continuou na mesma situação, juntando o suado dinheiro para ir ao campo, desviando de brigas na porta dos estádios, sendo desrespeitado pelas mudanças dos horários dos jogos a todo momento, vendo seus craques indo embora para a Europa cada dia mais cedo, entre outros problemas.

Realmente, caros amigos, esses caminhos foram construídos de maneira desproporcinal. O lado do futebol está enriquecendo, se profissionalizando; enquanto do lado de cá do mundo, continuamos sendo desrespeitados e agindo como verdadeiros vândalos (assunto que gera um dia de discussão). Andamos para trás! Já o esporte bretão caminha a passos largos para a glória da fortuna (e só). E aqui mora outro problema. O que se desenha é uma busca incessante pelo dinheiro, pelo lucro. Um bom exemplo são os amistosos do Brasil no estádio do Arsenal, na Inglaterra. Verdadeiros caça níqueis da Sra. CBF.

É hora de descer do ônibus e voltar para minha vida. Deixo as altas cifras de lado e já separo a (pouca) grana para pagar as (muitas) contas. Deixa o glamour para depois, é hora de pisar firme no chão da realidade.

domingo, 22 de março de 2009

Jogo em tempo real.

Eu me vendo num clássico entre FLA X VASCO. Primeiramente, como vocês podem perceber na ordem dos times, sou flamenguista (graças a Deus, apesar dos pesares). Outra coisa, caros amigos, estou acompanhando o jogo pela transmissão lance-a-lance do portal GLOBO.com (sem jabá, claro!). Meus dedos estão suando e muito.

Vamos lá, o jogo está 0x0, são 26 do primeiro tempo e o Flamengo já está com um jogador expulso: Wilians. Eita meu Deus, mal sinal.

O ruim de acompanhar o jogo assim é que você não tem a menor noção do que está acontecendo naquele momento. Só resta aguardar. Por falar nisso, escanteio para o Vasco...

Sai bola, sai bola... OPA, nas mãos do goleiro Bruno, do Fla.

Agora, a vantagem de assistir o jogo assim é que posso conversar com vocês sobre outros assuntos. Como por exemplo... é, deixa para lá, não vou disfarçar o nervosismo. Fico tenso num jogo desses (na verdade, nem sei como estou conseguindo escrever num FLAMENGO E VASCO, mas vou tentando...).

Corro ali atrás para dar um beijo na namorada, compreensiva com o estado desse que vos escreve (sorte minha e sorte dela. rs...).

O time do Fla está muito mal no campeonato. Não faz uma jogada bonita, um lance de efeito, sinto que o treinador Cuca está por um fio. Se não ganhar hoje, sei não...

31 minutos de jogo, Vasco está com mais posse de bola - segundo o site. Fla aposta no contra-ataque.

32 minutos e tudo igual no Maraca. Igual no placar e nas expulsões, o meio-campista Carlos Alberto também foi para o chuveiro mais cedo. Beleza, amigos. Estamos iguais agora, promessa de gols, já que o jogo tem tudo para ficar mais corrido. Vamos que vamos...

Chove muito no Maraca. Imagina quanto o jogo ganha em emoção com a chuva. A qualidade técnica cai, sem dúvida. Posso imaginar como está a festa da torcida do FLA no estádio...

Triste é meu pai ficar chateado com a perda da liderança do seu Cruzeiro no campeonato mineiro. O time empatou em Andradas e o rival, Atlético, venceu seu jogo. Nada convence o velho que o time é líder na Libertadores, ele quer mesmo é ganhar o título do "Atretis" - palavras dele - no Mineiro.

Voltamos para o meu sofrimento. 44 minutos e dois de minutos de acréscimo.

Um tempinho de descanso para mim (UFA!) e para vocês. Volto já! Fim de primeiro tempo.

O intervalo trás uma paz interior danada, ainda mais se o time não está perdendo. Concordo com um acordo de cavalheiros e o jogo fica assim até o final, todos concordam? Excesso de zelo e medo de perder. Não tem jeito vamos arriscar para o segundo tempo. Daqui a pouco volta o sofrimento.

Começa a segunda etapa. Tensão de volta, eu de volta ao pc, suor de volta as mãos e Obina em campo. Promessa para o bem ou para o mal.

Essa é uma experiência nova, acho que não terei mais coração (nem estômago) para repeti-la. Haja coração, amigo (como diz o outro amigo "narrador").

A zaga do Fla está toda amarelada. Fortes emoções até o final - 5 minutos do segundo tempo.

É pessoal, o futebol... ah o futebol. Aos 8 minutos do segundo tempo, Leo Moura do Flamengo foi expulso. 10 contra 9 em campo. O último a sair apague a luz. Tensão!

- Está com fome, amor? - pergunta minha namorada.
- Não consigo sentir fome nessas horas - respondo com toda sinceridade - Deixa o jogo acabar.

Gol do Vasco. Simples assim, gol do Vasco! Que b#$%&osta. E outras palavras que não cabem nesse espaço. 2 x0 para o Vasco. CHEGA! O desânimo é total. Vou dar um tempo. Aff... (Sei não se volto).

---------

É povo, um pouco mais calmo, resolvi voltar aqui até em respeito a vocês que leram até essas linhas. Como eu propus esse desafio, não posso abandoná-lo só porque o meu time fracassou. É dura essa vida de torcedor. Mas, como dizem, nada melhor que um dia (jogo) depois do outro. E se eu tinha alguma dúvida se voltaria a fazer esse tipo de experiência, acho que agora não tenho mais. Realmente não dá. Como fala um grande amigo, Ostend, "deu azar". Vou para o modo tradicional da próxima vez. Nada de jogo e postagem no blog. Chega!

Fica a pergunta - e a cacofonia: Será que o Cuca cai?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Seleção de "estrangeiros"?!?!?! PROTESTO!!! (Rafael Horta.)

Em clima de abre alas, quem dá o recado hoje é outro amigo - e primo - Rafael Horta. Curtam e leiam a reflexão que ele faz sobre a seleção do Dunga e da CBF:

O que o torcedor brasileiro quer ver na seleção?
O colorado quer Nilmar, seu rival não entende a ausência do Vitor no lugar de...deixa para lá.
O tricolor carioca quer ver os Thiagos, que acabou de sair ou que acabou de voltar.
O do mengo, pede respeito, não só pelo tamanho da nação, mas quer ver seus laterais brilharem na seleção.
O do Vasco não quer nada, esse ano só quer chorar... O fogão tá órfão de craques.
O torcedor cruzeirense, exigente como sempre é, exige o Ramires com a 8 amarelinha, mas acredita em espaço para seu grande goleiro. O atleticano, exagerado como sempre, já quer o Tardelli.
O santista quer seu artilheiro na seleção, o corinthiano quer apenas reservar uma vaga no ataque para seu, quem sabe, fenomenal atacante. O TRI-HEXA campeão brasileiro tem várias indicações para o Sr. Dunga, mas prefere nem discutir a ausência de Hernanes o craque do Brasil, pelo menos o Brasil daqui.
O palmeirense já quer ver o Keirrison, não só pelos gols e jogos desse ano que acaba de começar, mas sim pelo que o garoto fez em tão pouco tempo de carreira no Coxa, outra torcida que quer ele com a amarela.
A "toda poderosa" quer audiência, mas com uma seleção de europeus, prefiro dormir no próximo jogo do Brasil. Seleção de estrangeiros?!?!
Não! Prefiro o meu Cruzeiro.
(Rafael "cruzeirense" Horta)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Copa no Brasil, cifras e mais cifras...

E vão privatizar o Maracanã (nova-velha-ruminate-cansativa notícia). Acabei de ler aqui no JB online (http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/06/e060116915.asp). Serão novos tempos para um dos principais estádios de futebol do mundo. Será mesmo? Está lá na matéria, o governo federal investiu R$ 130 milhões para adequá-lo ao evento do Pan-Americano, mas a empresa que adquirir o Maraca deverá gastar mais alguns milhões para colocá-lo em funcionamento de acordo com as exigências da FIFA. Quantas cifras, não é verdade? Curioso que são investidos milhões e mais milhões de maneira sucessiva, mas o estádio nunca está pronto, de um jeito que não precise mais de alguns - caros - reparos. E tudo passa batido, ninguém contesta, ninguém reclama e vamos engolindo essa nova idéia de fazermos uma Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Imaginem só os incontáveis reais gastos para dar conta de um evento dessa magnitude. Tudo bem que a população está preocupada em ver bem de perto uma COPA DO MUNDO no Brasil, um feito para um país pobre como o nosso (ainda que o público que irá aos estádios não será o mesmo que está acostumado a ver seus times pelo país, pois com toda certeza o ingresso custará uma fortuna). Mas será que não percebemos que todo esse dinheiro despejado nas obras e licitações (quando ocorrem, claro!) saem do nosso bolso?! Opa, pisei num formigueiro!?

Por que raramente ouvimos alguém contestar as contas que não fecham desses eventos? Durante o Pan do Rio, em 2007, ficou claro que o dinheiro planejado para fazer as obras não foi suficiente e foi preciso que o governo federal desse uma ajuda ao estadual para acabar com as obras em tempo de se fazer os jogos. Mas e as empresas de comunicação que cobriram o evento, ninguém contesta as cifras absurdas que foram gastas? Vai ficar por isso mesmo? Eles fazem a cobertura, mostram os atletas brasileiros “brilhando” no Pan e criam uma desonesta expectativa quanto ao desempenho desses mesmos atletas nas próximas Olimpíadas. Só que não entram no mérito do nível da competição Pan-americana, que é de segundo (ou terceiro) escalão no continente.

Mas a questão aqui não é essa (que renderia um outro texto sobre essa absurda supervalorização por parte da mídia, que foca seus interesses comerciais acima da verdadeira qualidade do evento transmitido). Fico impressionado com a falta de contestação daqueles que se dizem isentos, transparentes, capazes de mostrar de forma cristalina os fatos como eles são, independente de quem atinja. Não é por aí. O Pan já ficou para trás, não será alvo (muito provavelmente) de nenhum tipo de investigação jornalística quanto aos seus custos. Já virou notícia velha, que não vende mais para o público e muito menos para os anunciantes, que brilham os olhos com a possibilidade de ver suas marcas expostas numa transmissão de Copa do Mundo no Brasil. Nos resta buscar outras fontes de informação em outros veículos (que são poucos, mas existem) e, principalmente, treinar nossos olhos para serem mais críticos, não acreditarem em tudo o que vêem, principalmente com todo o glamour que são apresentados. Nosso mundo real é mais simples e mais duro, nem tudo que se transforma em teatro televisivo deve ser levado a sério. Desconfie sempre!

(Imagem de arquivo pessoal).

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

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