Pages

terça-feira, 17 de março de 2009

Da TV um espelho.

Esquadrão da morte de homens de farda. Castelo de um deputado responsável pela liderança da Comissão Parlamentar de Ética. Pai sequestrando a filha e um avião em direção a morte. Armas roubadas de um clube de tiro sem segurança adequada. Escola do interior do estado do Rio sem aulas por falta de água...

Esse são apenas alguns enunciados que povoam nosso noticiário diariamente. Formam um retrato de um país acostumado as mais absurdas atrocidades e a assistir tudo de casa, na Tv, boquiabertos e estáticos.

Somos metralhados pela velocidade dos noticiários dos telejornais. Não nos sobra tempo para refletir sobre os casos que ali são tratados. É uma tentativa (muito eficiente, por sinal), dos detentores da informação de passar num menor espaço de tempo, uma maior quantidade de informação. E como eles são bons nisso! Mas e a reflexão, a análise mais detalhada do assunto abordado, o leque de pessoas de diferentes influências que poderiam ser ouvidas sobre determinado assunto? Não cabem nesses formatos atuais.

Vocês, caros amigos, já perceberam que quando um repórter entra ao vivo da rua com um entrevistado as perguntas são sempre breves e as respostas dos entrevistados - coitadinho deles - são apressadas pelo entrevistador que tem em seu ouvido um diretor com um olho na audiência e o outro no cronômetro?! Mas, pergunto eu, e o tema tão importante que está sendo discutido, não mereceria mais um minuto de reflexão? Que nada, o importante é fechar o programa redondo, entregá-lo no horário certo, pontualmente. O conteúdo... ah, o conteúdo a gente verifica depois. Essa é a lógica televisiva (infelizmente).

E vamos levando para nossas relações sociais uma fragmentação incrível de notícias, mutilações de informações gritadas em nossos ouvidos. Ai vem um amigo e pergunta sobre o encontro do Lula com o Obama. - O que eles foram discutir? - pergunta o simpático amigo. - Ah, eles se encontraram, falaram da crise e.... foi um encontro bem humorado - pronto, você define superficialmente. Mas a culpa não foi sua, você viu todo esse encontro em três minutos de matéria na TV e quando ia discutir com a esposa sobre o encontro, lá vem a próxima notícia do jornal sobre um acidente de uma pessoa famosa. Lá vai a atenção de sua ouvinte...

Aí vamos nos perdendo nas matérias que se sucedem, vendo aquela cascata de notícia se formando, e nossa mente (tão cansada do longo dia) tentando acompanhar. Acaba o jornal, com uma notícia amena, geralmente sobre esporte e a gente desliga a televisão (não vou ficar aqui fazendo propaganda de novela e BBBs da vida, certo?). Antes de fazer qualquer outra coisa mais interessante - ou não - vamos fazer um exercício de relembrar as notícias que presenciamos há poucos minutos. Preparados? Lembram de mais de 50% delas? (Eu não consigo).

Já fazemos parte desse carrossel de anos de notíciários nesse formato. Quebrar esse modelo seria quebrar uma tradição brasileira, mas levaria a uma maior reflexão dos telespectadores. Quem ousa mexer nesse formigueiro? É preciso ter peito.

E, para fechar, como diz a música do Rappa, com letra do Marcelo Yuka:
..."Faltou luz mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da T.V. um espelho
Refletindo o que a gente esquecia"...

12 comentários:

assis disse...

Carlinhos,como sempre, gostei bastante. Concordo plenamente com o que vv disse sobre os noticiários da TV, principalmente da TV Globão, que se alastou como uma praga neste país. Faço o seguinte, escuto a mesma notícia no rádio (até na CBN, que é da família) e inteiro-me dos fatos.
Outra pção é mudar de canal e ouvir outro noticiário não tanto comprometido, p,ex, o da RECORD.

Cara Pálida disse...

Hoje estamos meio que sendo manipulados por certas emissoras de tv, por isso é interessante procurar ver outros canais, procurar se inteirar melhor dos fatos. Parabéns pelo blog!

Inez disse...

Excelente seu post. Os noticiários, seja lá de qual emissora for, são todos do mesmo jeito sempre tentando manipular o telespectador.
Infelizmente não há nhum noticiário isento.

secondrate disse...

É uma opinião interessante, de fato os noticiários não abrem espaço pra um tempo de reflexão, no entanto discordo da idéia de que repórter, diretores ou mesmo a mídia atual, tão retratada como "mais do mesmo". O jornalismo atual é novo, por mais que custe a aceitar. A interpretação maçante da informação sobre um só ângulo no entanto reflete uma versão antiga, mas isso não é o suficiente para dizê-la antiga, muito pelo contrário. Vivemos num comércio vivo onde a tv, há tempos, deixou de ser informação, e passou a entretenimento. É duro e frio, mas quer notícia séria, disposta a abordar tudo, por todos os ângulos? Porque não busca na internet?!

Os formatos de telejornalismo atual são semelhantes em todas as partes do mundo. Uma análise rápida sobre acontecimentos diários - e acredite, eles são muitos. Temos de estar atentos a tudo, no entanto precisamos de alguém que nos diga pra onde olhar, porque mesmo no século da informação, onde ela vale muito, é ainda difícil - não só pro brasileiro, mas pro público em geral - saber pra onde tem de olhar pra seguir a caravana construída pela cultura de massa.

http://secondrate.wordpress.com/

Avassaladoras Rio disse...

Querido amigo avassalador... falando de noticias...acabei de ouvir que todos diretores do senado devem deixar seus cargos... algo em torno de 140 cargos ficando disponiveis para "negociação" ..imagine o que vem por ai ;))))))

Millena Moderadora disse...

Parabéns pelo blog!
Criativo e inteligente.
Se puder,visite o meu.
Te Cuida!!!!
Boa Quarta pra ti!!!

Tchezar disse...

É... eu acredito que eles utilizam esse método de bombardeio de notícias como uma maneira de manipular as pessoas, tornando os fatos da notícia parte da rotina... as notícias são inúmeras e como você disse, não temos tempo para analisá-las, logo, elas vão se tornando parte do cotidiano, nos acostumamos com o tipo de assunto e isso acaba fazendo parte de nossas vidas...

Anônimo disse...

Ôi Carlinhos.
A minha intervenção,modesta, diga-se de passagem, é só pra dizer que quando estudei história, a IMPRENSA não é considerada "FONTE HISTÓRICA".
Daí...
Um abraço a todos.
Rubem
terapiadecutuvelo.blogspot.com

Airton disse...

opaa
cara legal sua visao....meu post hj nu meu blog eh sobre noticias inuteis heheh

Rodrigo Andolfato disse...

Muito bom post. Eu concordo com isso há muito tempo, e por isso tenho gastado cada vez mais tempo com televisão. Acompanho as notícias pelos bons sites e blogs de informação, onde encontra mais do que manchetes, encontro análises, como a feita neste post.

PS: não compro jornais de papel por que não vejo sentido em derrubar árvores se temos tudo na internet hoje.

Abraços

Marcelo A. disse...

É a informação rasa, que não permite questionamentos, que não permite reflexão. Eu, particularmente, não vejo mais o Jornal Nacional. Procuro me inteirar do que rola pelo mundo, aqui mesmo, na net. Mas fazer o quê, se a grande maioria ainda não tem acesso? Aí, não tem jeito...

Post nota mil! Gostei muito...

Passa lá em casa:

www.marcelo-antunes.blogspot.com

Emilio Lanna disse...

por isso q sou seu fa.
mas acho q talvez vc tenha sido injusto em dizer q isso e uma caracteristica da tv brasileira. do povo brasileiro.
eu nunca viajei, nem morei no exterior. mas graças a tv a cabo podemos ver como sao as noticias mundo a fora. a cnn passa 500 noticias em 1 min, sendo q passam letrinhas em baixo do apresentador e nos temos q ficar lendo, acompanhando os graficos e ouvindo o q o cara fala. Sem falar naquela bloomberg q tem ainda mais informaçao. enfim, estamos vivendo num mundo onde tudo e mto rapido. mas o exercicio proposto e sem duvida um pedido a reflexao.
abraçao

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

Total de visualizações de página

Facebook