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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

SOS TERESÓPOLIS.

Anestesiado, olhos arregalados, cabisbaixo, cansado, triste, com medo, mas lutando... Parece um cenário perfeito de um personagem de filme, mas trata-se do semblante da população de Teresópolis depois dessa tragédia que atingiu a cidade. 

Fomos surpreendidos pela intensidade das chuvas na madrugada de terça-feira, fomos vítimas de uma força descomunal da natureza e de uma força de menos dos homens detentores do poder, nossos políticos. Agora todos choram, todos lamentam e tentam encontrar respostas e forças para reagir. 

A solidariedade impressiona, a união de pessoas de várias classes socias separando alimentos, separando roupas, brinquedos, artigos de primeira necessidade; separando dor e tentando encontrar uma fórmula de trazer um pouco de recomeço.

Ontem me arrepiei, tive que parar para respirar depois que vi uma criança chorando porque queria voltar para casa e a mãe tentava acalma-la: - Meu filho, não temos mais casa. Vamos tomar um banho e dormir no abrigo. Nossa, eu tenho casa, eu tenho tudo e sou impotente. Por mais que erga as mangas, por mais que ajude de todas as formas a impotência é minha, o sentimento de culpa compartilho com os responsáveis.

Conforta mesmo, e chega a rasgar um sorriso no meu rosto é ver uma senhora, que mesmo desabrigada, e com dificuldade de se levantar enquanto toma um cafezinho, me responde na maior doçura: - Esse cafezinho está ótimo. - Essa noite a senhora terá um sono de paz, né? - perguntei e ela me respondeu, com um sorriso de arrepiar: - Com a graça de Deus, meu filho, com a graça de Deus... - segurei o choro e sorri pra ela, apaixonei-me por ela, na verdade. Não sei seu nome, seu bairro, sua história de dificuldade, mas o que aprendi nesses minutos de conversa levarei para sempre comigo...

Dois meninos, um de 4 anos e um de 6 chegaram acompanhados do pai me pedindo umas roupas para eles colocarem depois do banho no abrigo. O mais novo, sorridente demais, estava pelado e se divertia com a brincadeira do povo. O baixinho de 6 anos, chamado Lucas, me perguntou: - Tio, não tem uma camisa do Flamengo não? Sorri pela espontaneidade, lembrei das minhas várias camisas rubro-negras no armário, mas ali não tinha nenhuma. Conseguimos uma do Brasil, a 10 do Ronaldinho. Falei: - Viu, não tem do Flamengo, mas tem a do novo craque do mengão. Ele saiu todo bobo em direção ao banheiro, de mãos dada com o irmão peladão...

Esses momentos são fundamentais para colocarmos nossos pés no chão, vermos que perdemos muito tempo dando valor a coisas não muito importantes, preocupados em consumir, em trocar de celular, em comprar Tv de plasma, em comprar e comprar....Mas a vida é tão simples, o sorriso é tão barato, é tão sincero e ensina tanto... Não precisamos abrir mão de boas coisas da vida, de não usufruir dos confortos dignos do suor do trabalho; mas isso é pequeno, isso se perde, isso a chuva leva. Já os sentimentos, os laços, as amizades e o sorriso não há catástrofe que abale. Ontem tentei ajudar, hoje fui lá outra vez, mas o maior beneficiado fui eu. Guardo para mim o sorriso daquela senhora e acredito demais na solidariedade do ser humano. Teresópolis precisa de ajuda - e nós também.

6 comentários:

Emilio Lanna disse...

Eita fí, que belo texto.
Realmente um sorriso vale mais do que qualquer outra coisa.
Aqui de casa, de longe, fiquei super angustiado. Ainda tô.
Fico feliz que você esteja ajudando o pessoal!
Força pra essa cidade que eu tanto amo.
Abraço!

Diogo Lana disse...

Porra Roy, chorei lendo isso...
Nestas horas nos lembramos em como a vida é simples. Nós é q a complicamos...
Um sorriso já é capaz de nos alegrar por completo!
Belíssimo gesto o seu!
Grande abç

Rogerio disse...

interessante o texto...muito bem escrito...

CHRIS LANA disse...

Ahhh Carlinhos... que texto... E imagino a situação... mta coisa ainda temos que aprender... não só nessas situações, assim como na nossa vida toda... essas pessoas simples, de coração enormeeeeee são as melhores professoras... porque eles sabem o que realmente é viver... superar um dia de cada vez...
Que orgulho ler essas palavras escritas aqui e saber que vc está lá, ajudando... gostaria MUITO de poder ajudar tbm... mas no momento o que posso fazer é rezar e pedir a Deus que ilumine os caminhos dos que se foram e dos que estão precisando de ajuda... assim como iluminar a cabeça e o coração daqueles que, assim como você, estão fazendo o que pode e o que não pode para trazer um mínimo de conforto na vida dessas pessoas, nessa situação...
Ver Terê na TV, dessa forma dói... dói por pensar na possibilidade de ter entre os feridos pessoas conhecidas (graças a Deus todos que conheço ai estão bem), dói em ver a casa onde tivemos tantos momentos maravilhosos pendurada por um fio... dói ver o lugar que adotei de coração tão acabado...
Mas, graças a Deus, tudo vai ser reconstruído e as lições desses momentos serão também para a vida toda... pois o que sentimos, aprendemos e ensinamos nesses momentos, água nenhuma leva...
O que precisar, estou aqui Carlinhos!
Parabéns pelo lindo texto e pela linda atitude...
TE AMO!!

Coyot disse...

Que situação, mas são nessas horas que o pove deve crescer como nação e pensar muito bem ates de votar, de comprar um carro, uma casa, de jogar lixo na rua e principalmente antes de viver em uma cidade.... são pontos a se repensar agora....

Silvia disse...

Muito bom o texto, fiquei emocionada lendo e pensando o que poderia fazer para ajudar apesar de estar longe ai pensei, pelo menos mandar um pensamento positivo e pedir a Deus que abençoe todos.
Beijos

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