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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O pulso ainda pulsa.

Quanta coisa tem acontecido no nosso país nesses últimos meses: Povo nas ruas, Copa das Confederações, assassinatos bizarros, políticos fazendo o povo de trouxa, um vendaval de brasilidade. Mas será isso tudo novo, ou só um pouco mais do mesmo?

Essa é uma pergunta que me tenho feito desde que fomos para as ruas reivindicar sobre o preço das passagens, o absurdo do dinheiro gasto nos estádios e mais os infinitos motivos que temos para lutar. Acho que houve um cansaço geral. Como já vou me encaminhando para os 30 anos (isso não é assunto para se tratar agora, só para dar uma base temporal), percebo muito que passei por uma geração muito acomodada, de filhos de (aí sim) lutadores contra uma ditadura militar muito violenta. Essa minha reflexão não me tira da responsabilidade não - antes que alguém já venha me acusar, reconheço minhas dívidas. Mas sim, passei por uma adolescência de uma geração acomodada, deslumbrada com o começo desse mundo (encantado?) cibernético, apostando na democracia como mero resultado e fórmula pronta de sucesso.

Agora o jogo virou, me parece. Percebo (e o fato de estar na universidade convivendo com colegas mais novos me acrescentou esse olhar) que os jovens cansaram dessa brincadeira de NO VOTO QUE A GENTE MELHORA O PAÍS. Estamos vendo há tempos que não é por aí... O movimento de sair de casa para ocupar as ruas, para reivindicar o mínimo de compromisso dos representantes políticos, está vivo e presente nessa rapaziada que encarou acabar com o faz de conta que esses políticos se - e nos - meteram. Temos a felicidade de acompanhar bem de perto esse processo, mesmo que ainda sem entender muito bem o que e para onde vamos. Mas acordamos(?).


(Povo nas rua - centro do Rio - Imagem retirada do site: http://goo.gl/W3B4iv)

Relatar um processo enquanto ele acontece é das grandes dificuldades e das enormes armadilhas que podemos entrar. Mas vou me arriscando... Percebo que as esferas de poder andam receosas com os rumos que elas até então davam às políticas, mas que esse povo agora cismou (já era tempo) de tomar conhecimento e de questionar tudo. Os quatro poderes - acrescento a grande imprensa (assim como fazem alguns autores, e não sei precisar quem foi o primeiro a utilizar esse conceito) - estão pisando em ovos sem saber muito bem onde, ou em quem andam pisando.

Essa reflexão me traz uma curiosidade sobre o processo eleitoral que está por vir no final do ano que vem. Arrisco-me (fique à vontade para discordar) a dizer que a base de todo nosso questionamento está na forma e na estrutura do nosso fazer política. Penso que refletir sobre essa engrenagem é o fundamental pilar para mudarmos de fato alguma coisa no Brasil. Nossa construção política é engessada, com os três poderes já cheios de um ranço de alianças para governar, tendo a grande mídia como mediadora e definidora de rumos (através das concessões midiáticas que, na verdade, são tema para outra hora), conceitos e tendências.

Vivemos um momento único de reflexão e de uma oportunidade singular de vermos algo mudar nesse cenário político. Não acredito mais nas legendas políticas e acredito cada vez menos no nosso presidencialismo tupiniquim (onde, para se governar é preciso fazer aliança com o PMDB, por exemplo - coisa boa não pode sair). Também não tenho habilidade, muito menos pretensão de apontar para um caminho mais correto e eficiente para mudarmos o jogo. Hoje, na realidade, estou apostando muito mais nas pequenas ações e nos pequenos movimentos que partem de atitudes nas relações cotidianas. Não adianta irmos para as ruas protestar por honestidade e ética, se não somos capazes de cumprimentar o porteiro do prédio, de ceder o lugar no ônibus para uma senhora de idade, de agir com honestidade sem querer levar vantagem e ser o malandro da história... Fica parecendo um pensamento pueril, meio piegas, mas acredito que nossa retomada de um país digno e honesto na política - independente do formato que ela tiver - começa com os cidadãos que formamos e que serão representantes no futuro.

Posso ter me tornado num homem utópico e até certo ponto ingênuo depois desses movimentos nas ruas, mas confesso que eles me resgataram da total descrença sobre o futuro político do nosso país. O que virá pela frente só o tempo dirá, mas meu otimismo ganhou sobrevida e saiu da UTI, espero que os corações não parem de bater em cada peito de quem ainda acredita.

Ah, para não deixar passar: 

#FORACABRAL

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1 comentários:

Luiz Miranda disse...

É Carlinhos, parece que apareceu uma luz no fim do túnel, mas a caminhada é longa.
O problema é o nosso sistema político. Ele é voltado para os políticos, não para o povo.
Durante a campanha todos prometem a famosa reforma política mas nunca fazem porque significaria abrir mão do poder que eles tem hoje de comandar o sistema.
Uma prova disso é que eles abominam o voto distrital.

Pessoas pelo mundo que passaram por aqui:

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