
Vocês imaginem aquela pessoa - recém saída dos bancos escolares - que entra numa empresa para trabalhar assumindo o cargo de gerente. Estranho, não? Pois bem, acho que é este o caso do Dunga, técnico da seleção (com letra minúscula mesmo, bem pequena). Ele sequer teve outra experiência na função e já assume o principal posto do futebol brasileiro.
É de assustar, pois vivemos uma época marcada pelo futebol/empresa, sério, comprometido com os resultados. Só se for em outro canto, né não? Se na nossa seleção (mais do Ricardo Teixeira e da Nike, especificamente) não há organização exemplar, imagine nos clubes?! Mas vamos deixar os times para outra ocasião, porque o rende um livro, na verdade.
O que se esperava do Dunga quando ele assumiu a Amarelinha era que, pelo menos, ele conseguisse passar para os jogadores a raça e a disposição que ele transmitia em sua época de boleiro. Lembremos que vínhamos de um fracasso na Copa de 2006, marcada por situações esdrúxulas, com jogadores acima do peso, festa nos treinos, entre outros absurdos.
Então o que se imaginava daquele ex-jogador que acabara de pegar a Seleção prometendo muito empenho? Imaginava - pelo menos eu imaginava isso - que viveríamos uma nova “Era Dunga” no comando. Se não se tratava de um exímio articulador tático, até por não ter outras experiências, esperava que nosso escrete transpirasse sangue nos jogos - no bom sentido, claro!
Mas que nada. Vieram os jogos, vieram os anos e nada! Entre um bom resultado (como a conquista da Copa América contra a Argentina, em 2007) e muitos ruins, a seleção nunca encantou com Dunga no comando. E o pior é que nem vontade nós demonstramos mais!
Estamos numa época que os jogadores jogam com uma falta de gana que dá raiva, um sono contagioso. A falta de criatividade é horrível? Claro que sim, mas a falta de vontade é imperdoável.
Aconselho ao Dunga (nosso estagiário que está sendo treinado pela Seleção) a reconhecer sua fragilidade e começar sua carreira como técnico em um clube do país. Sei que seria uma atitude praticamente impossível, pois teria que desmascarar a vaidade tão comum no meio, tirar a capa de prepotência e calçar as sandálias de uma pessoa humilde. Mas seria um gesto digno de aplausos.
Acredito que ele não fará isso. Então, meus amigos, vamos ter que agüentar todo este time de embrulhar o estômago durante as Olimpíadas. Medalha de ouro? Seria um terrível cala-boca!
Terímos nosso estagiário por mais longos - e sonolentos - anos.
Façam suas apostas!