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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Feliz doce.

O menino ao lado sorriu e me pediu um trocado. Falei que não tinha e saí apressado. Lá na frente percebi que tinha umas moedas sim, não sei por que havia mentido. Voltei, e perguntei para o pequeno para que ele queria aquele dinheiro. - É para comprar um doce. Estou doido para comer um daquele - e apontou para um senhor que vendia uns cuscuz numa carrocinha. Vi que o menino era sincero demais, merecia aquele meu gesto pequeno, que não alteraria minha situação financeira. Estendi a mão e o presenteei com minhas pratas. Ele contou e viu que era o suficiente. Aumentou o sorriso e agradeceu.

Fiz questão de diminuir meus passos. Queria saborear com aquele menino o doce que devorava. Era impressionante a voracidade dele. Passei do lado e pude ouvir o mastigar inquieto. Ele precisava muito daquilo mesmo. Senti-me aliviado e, ao mesmo tempo, fiquei pensando quantas vezes rejeitei um pedido de um doce, mesmo com o bolso carregado de moedas. A concentração do garoto era inabalável - e contagiante.

Fiquei orgulhoso do meu gesto. Senti como se estivesse fazendo minha parte. Mas fiquei me pergutando: - Não estou alimentando um pequeno cidadão que está se acostumando a ganhar as coisas, sem trabalhar e correr atrás? - Mas é uma criança - briguei comigo mesmo - Deixa ele ter esse prazer.

Deixei o racionalismo de lado. - Mais tarde reflito sobre essas teorias sociais, prefiro ter na memória a imagem do menino - pelo menos naquele momento - feliz.

14 comentários:

Fernando Pocow disse...

Interessante, também acho que ele deveria acostumar-se a correr atrás das coisas, porém de um outro lado um gesto simples da gente, faz o dia feliz de uma pessoa.

ohshittt disse...

cnfesso as veze tbm penso dessa maneira...ele era uma criança não deveria trabalhar e sim estudar pra um dia não ter mais q pedir...

Cara Pálida disse...

Belo texto, belo gesto. Admito que na maioria das vezes acabo fazendo a mesma coisa, mesmo tempo o bolso cheio de moedas digo que não tenho. Quando fazemos o dia de alguém feliz, acabamos nos fazendo feliz também!

Controle Popular disse...

Nossa! acredito o quanto essa tua atitude foi engrandecedora, entretando é um questão passível de grandes reflexões, não gosto muito de dar esmolas não, quando algo do tipo acontece e eu quero ajudra eu prefiro comprar a coisa e dar para a pessoa, sempre aparece um menino na universidade pedindo moedas para ele comprar um lanche, nunca dou o dinheiro, dou o lanche...mas sua atitude foi realmente louvável.

Igo Araujo disse...

bem, só pq vc deu o doce pra ele, não significa q ele não correu atras...

flws
abçs

Karla Hack disse...

Tocou num assunto que tem várias controvórsias por ai..
Mas o que mais me chamou a atenção foi a primeira resposta ... o "não" automático...
Mesmo tendo como ajudar, falamos que não...
Estranho como isto pode ser tão frio... quando deveria ser o contrário.

O terxto foi muito bem escrito!

;D

bjus

Marcel disse...

Carak... sua descrição do menino comendo o doce me deixou com água na boca.

nerdsedentario disse...

Muito bonito o texto. Os outros também são demais.

†YaGo-SaN† disse...

é realemte bom quando você vê que ajudou alguem...
abraços!

http://wallnosekai.blogspot.com/

< Scar Tissue Man > disse...

interessante
legal o blog

dand[angel]black disse...

é interessante, a óptica do texto, você se diverte a principio com o a felicidade do garoto, mas depois se pergunta se não está influenciando uma geração^^, é complexo, mas trata-se apenas de uma criança, como você mesmo disse, e há sempre um ditado certo: Nós queremos pros nossos filhos aquilo que não tivemos, por isso o mundo está como está.

30 e poucos anos. disse...

A realidade é dura e triste ... uma criança que pede esmolas entende como um trabalho, pois é assim q os pais orientam.

Aline Cristina. disse...

Ótimo texto !!!

Beijos !!!

line kitty disse...

É delicioso quando nos sentimos assim, como uma alegria inexplicavel, por uma atitude tão pequena.
Excelente texto, muito bom ver gente assim no mungo blogueito.

Sucesso!

Line Kitty

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