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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um dia desses em Teresópolis...

O som que vem lá do alto é de uma igeja evangélica. São palavras difíceis de ser entendidas, mas que devem ter seu momento e seu significado para os que estão presentes naquele templo. Meu caminho continua forte, em direção ao ponto de ônibus. Passo por dois meninos que travam um duelo de bola de gude. Mais a frente, um cão sem raça caça alguma sobra de comida. Viro na ponte à esquerda, e sinto um movimento estranho por ali. Alguns jovens estão num quintal ao lado se divertindo com alguma situação. Não sei muito bem do que se trata, mas o cheiro é muito forte de algo queimando... Não mudo minha rota, não olho para trás; só caminho.

Entro no ônibus e corro para não me atrasar. Mais um dia chuvoso em Teresópolis - nenhuma novidade. Há poucos quilômetros dali a Seleção brasileira está concentrada para os jogos das Eliminatórias da Copa. - E como estão distantes da realidade dessa cidade! - penso enquanto me ajeito na poltorna do ônibus.

Travo uma batalha - um diálogo comigo mesmo - sobre essa disparidade. De um lado, astros mundiais, milionários, juntos numa concentração para jogar futebol (um divertimento). Do outro, nós, comuns seres sonhadores, correndo de um lado a outro, buscando um mínimo de conforto e de reconhecimento pelo suor entregue na rotina.

Alimentamos esse sonho do futebol/sonho/diversão como válvula de escape. Isso mesmo, nosso esporte mais famoso funciona como uma fuga dos problemas cotidianos. É o momento no qual o torcedor se entrega a paixão clubística ou à Seleção e esquece, durante aqueles 90 minutos, das dívidas, das brigas diárias e dos problemas em geral.

Mas é impressionante percebermos aonde esse envolvimento foi parar. As gerações se passaram, os clubes "se profissionalizaram", viraram verdadeiras concentrações de astros, com altos salários e todo o tipo de regalia, enquanto o torcedor continuou na mesma situação, juntando o suado dinheiro para ir ao campo, desviando de brigas na porta dos estádios, sendo desrespeitado pelas mudanças dos horários dos jogos a todo momento, vendo seus craques indo embora para a Europa cada dia mais cedo, entre outros problemas.

Realmente, caros amigos, esses caminhos foram construídos de maneira desproporcinal. O lado do futebol está enriquecendo, se profissionalizando; enquanto do lado de cá do mundo, continuamos sendo desrespeitados e agindo como verdadeiros vândalos (assunto que gera um dia de discussão). Andamos para trás! Já o esporte bretão caminha a passos largos para a glória da fortuna (e só). E aqui mora outro problema. O que se desenha é uma busca incessante pelo dinheiro, pelo lucro. Um bom exemplo são os amistosos do Brasil no estádio do Arsenal, na Inglaterra. Verdadeiros caça níqueis da Sra. CBF.

É hora de descer do ônibus e voltar para minha vida. Deixo as altas cifras de lado e já separo a (pouca) grana para pagar as (muitas) contas. Deixa o glamour para depois, é hora de pisar firme no chão da realidade.

10 comentários:

JuHits disse...

Carlinhos, além do ótimo desenrolar textual, suas observações são bem intrigantes. Parece que vc está se aproximando de uma visão sistêmcia da nossa realidade.

Já parei demais para refletir questões como essa. A experiência me revela que há um próposito nos grupos dominantes para que continuemos a andar para trás.

Infelizmente, muita gente ganha dinheiro através desse "mecanismo" no nosso país.

Abs,

╬ Nothing has sense ╬ Felipesfr disse...

gostei muito..

você nos leva contigo numa viajem..
é interesante como seu texto prende a atenção..

e sobre o futbol, a gente sempre escuta dos mais velhos que antigamente se jogava por amor a camiseta... era o amor de jogar...

e verdade.. milhões de reais são gastos e familias q nem ter o que comer, paradoxalmente essa é a realidade do brasill

30 e poucos anos. disse...

A evolução chegou para o futebol e não para a torcida ...

Tolerância Zero disse...

brother..parabens pelo texto......é ótimo termos valvulas de escape!

Wander Veroni disse...

Oi, Carlinhos! Muito legal a sua narrativa para ver o treino da selação. Você conseguiu fazer uma crônica muito gostosa de se ler, parabéns!

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Tchezar disse...

É cara... realmente esse é um assunto para um dia inteiro...
É triste ver como a desorganização e a vontade excessiva, vulga gância, faz com que as coisas andem para trás...
Mas infelizmente, aqui no Brasil as coisas sempre foram assim, desde o início, antes da colonização... E o futebol é um um reflexo da cultura que foi-se criada por aqui...

Abraço

gamelinha disse...

Adorei seu blog..
Muito bom o texto, é realmente a população brasileira é apaixonada pelo futebol, e com todos os meninos sonham em ser jogadores para ganhar muito dinheiro, pois são iludidos pela tv que mostram casas de determinado jogador, e percebem que moram em barracos de favelas...então eles querem ganhar o dinheiro facul, senão conseguem pelo esportem, tentam em outras formas..

marretada disse...

opa muito bom o texto, tem um oposto nele que é a realizade em uma comunidade carente em o sonho de ser rico atravez do futebol.

Dário Souza disse...

Cara acho meio esquisito se fosse o contrario, os jogadores pobres e nós torcedores ricos...hauahauahau.Acho que atualmente rola uma desvalorização do nosso futebol por parte dos jogadores, eh so um carinha ser craque e ele se pica pra outro país e esquece das origens.Axo isso foda

Isabel Leon disse...

Você tocou no assunto paixão nacional de uma maneira que poucos vêem.
Não é de hoje que penso que futebol aqui neste país é barato para manter o povo entretido.
Assim, o pessoal discute o campeonato regional, o brasileirão, até a série C mas não sabe o nome do deputado sendo investigado na CPI por corrupção.
O que se paga aos jogadores de futebol, e em outros ramos do esporte e do entretenimento é uma ofensa ao cidadão que levanta as 5h da manhã para trabalhar 8h, 9h, ou mais horas por dia para conseguir pagar as contas de necessidades básicas e colocar comida dentro de casa, sem luxos, só o essencial.
É, continuamos vivendo a dura realidade e deixemos o glamour para depois, como você disse...

Abraços
Isabel

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